Promovido pelo SINDUR, o encontro reuniu trabalhadoras, dirigentes sindicais e movimentos sociais em dois dias de debates. A FNU participou da abertura e da programação com palestra sobre os desafios e as lutas das mulheres urbanitárias.

O Encontro de Mulheres Trabalhadoras do Ramo Urbanitário de Rondônia, realizado nos dias 30 e 31 de outubro, em Porto Velho, reuniu trabalhadoras, dirigentes sindicais e representantes de movimentos sociais para discutir direitos, igualdade, saúde, políticas públicas e a participação das mulheres nos espaços de decisão. Promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores Eletricitários e do Saneamento de Rondônia (SINDUR), o evento abriu espaço para a troca de experiências e o fortalecimento da organização feminina no movimento sindical.

A Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) esteve representada por Sônia Mendes, secretária da Mulher Urbanitária, que participou da mesa de abertura e, no sábado (31), apresentou a palestra “A luta das Mulheres do Ramo Urbanitário”.

A programação abordou temas como articulação territorial de políticas para as mulheres, com Benedita Nascimento, do Ministério das Mulheres; direitos da mulher trabalhadora, com a advogada Gabriela de Figueiredo; e saúde da mulher trabalhadora, com a médica Ana Maria Bezerra Ramos. Os debates também contaram com a participação de trabalhadoras dos setores elétrico, de saneamento e de telecomunicações.

Em sua exposição, Sônia abordou os desafios enfrentados pelas mulheres para conquistar autonomia, ocupar espaços de decisão e ter seus direitos respeitados. Também destacou os avanços nas políticas públicas de igualdade salarial, de cuidados e de enfrentamento à violência, lembrando que essas conquistas precisam se traduzir em mudanças efetivas na vida das trabalhadoras.

Ao tratar do papel das entidades sindicais, a dirigente chamou a atenção para a necessidade de incorporar as reivindicações das mulheres ao conjunto das ações e negociações das entidades. “Não basta que os sindicatos tenham uma secretaria de mulheres. A defesa da igualdade precisa ser um compromisso de toda a direção sindical”, afirmou.

Sônia também relacionou a luta das trabalhadoras à defesa dos serviços públicos, ressaltando que a falta de infraestrutura e de serviços essenciais afeta diretamente a vida das mulheres, sobre as quais ainda recai grande parte das responsabilidades domésticas e de cuidado. Ela destacou que: “Defender o direito à água, ao saneamento e à energia elétrica também é defender os direitos das mulheres”.

A participação dos homens no enfrentamento das desigualdades também esteve entre os pontos abordados pela dirigente, que defendeu atitudes concretas de respeito, compartilhamento de responsabilidades e apoio à presença feminina nas direções sindicais.

Fortalecer a participação das mulheres é fortalecer os sindicatos

O encontro contou com a participação ativa de Nailor Gato, presidente do SINDUR e vice-presidente da FNU, que acompanhou as atividades e os debates. Outro destaque foi Luzanira Morais de Souza, secretária da Mulher do SINDUR e também dirigente da FNU, que teve papel importante na organização do evento, coordenou a mesa de abertura e participou da condução dos trabalhos.

A programação do segundo dia incluiu ainda uma mesa dedicada às resoluções e aos encaminhamentos do encontro, voltada à discussão de propostas para dar continuidade às questões debatidas pelas trabalhadoras.

Para a FNU, a iniciativa do SINDUR é um exemplo que deve ser incentivado entre todos os sindicatos da base urbanitária. Promover encontros de mulheres é uma forma de conhecer mais de perto suas dificuldades, compartilhar experiências, formar novas lideranças e garantir que suas reivindicações tenham espaço nas decisões e nas pautas de negociação das entidades.

A Federação considera fundamental que esses encontros não sejam atividades isoladas, mas parte de um trabalho permanente de organização, formação e mobilização das trabalhadoras.

Ao encerrar sua palestra, Sônia deixou uma reflexão sobre o que cada participante pode fazer a partir dos debates realizados: “Talvez seja levar uma proposta concreta para a próxima negociação coletiva ou ajudar a construir um espaço de acolhimento no sindicato.”

O encontro de Rondônia reforçou justamente essa necessidade: fazer com que as discussões sobre igualdade, participação e direitos se transformem em iniciativas capazes de melhorar a vida das trabalhadoras e fortalecer a atuação do movimento sindical.