“Muitos moradores se hidratam com a Coca-Cola, produzida em uma fábrica de engarrafamento local e pode ser mais fácil de obter do que a água engarrafada, além de custar quase o mesmo.” A fábrica tem permissão para extrair 419.774 metros cúbicos de água por ano (1.150.065 litros por dia).

O caso é na cidade mexicana de San Cristóbal de las Casas, mas nada impede que no futuro seja a realidade de muitas outras localidades, inclusive no Brasil. Por isso, nossa luta é pelo direito à água e que ela não seja tratada como mera mercadoria!

Leia a reportagem publicada pelo jornal New York Times

María del Carmen Abadía vive em uma das regiões mais chuvosas do México, mas só tem água corrente a cada dois dias. Quando um pequeno riacho sai de sua torneira, é tão clorado, que ela diz, que não pode ser bebido.

A água potável é cada vez mais escassa em San Cristóbal de las Casas, uma pitoresca cidade montanhosa no estado de Chiapas, no sudeste do México, onde alguns bairros têm água corrente apenas algumas vezes por semana e muitas casas têm que comprar galões de água extra.

Como resultado, muitos moradores se hidratam com a Coca-Cola, produzida em uma fábrica de engarrafamento local e pode ser mais fácil de obter do que a água engarrafada, além de custar quase o mesmo.

Em um país que está entre os maiores consumidores de bebidas açucaradas do mundo, Chiapas é um dos estados campeões: os habitantes de San Cristóbal e as terras altas que cercam a cidade bebem uma média de dois litros de refrigerante por dia.

foto – NYT

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O efeito sobre a saúde pública tem sido devastador: a taxa de mortalidade por diabetes em Chiapas aumentou em 30% entre 2013 e 2016, e agora o diabetes é a segunda causa de morte no estado, depois de doença cardíaca, que mata três mil vidas por ano.

“Os refrigerantes sempre estiveram mais disponíveis do que a água”, disse Abadía, 35 anos, um segurança que, como seus pais, luta contra a obesidade e o diabetes.

Vicente Vaqueiros, 33 anos, um médico da clínica em San Juan Chamula, uma cidade agrícola próxima, disse que os profissionais de saúde estão lutando para lidar com o rápido aumento do diabetes.

“Quando eu era criança e vim para cá, Chamula estava isolado e não tinha acesso a alimentos processados”, disse ele. “Agora, você vê as crianças bebendo Coca-Cola em vez de água. Atualmente, o diabetes está afetando os adultos, mas as crianças seguirão em breve. Nos alcançará “.

Falta de água: único culpado é a enorme fábrica de Coca-Cola

Abandonados pela dupla crise da epidemia do diabetes e pela escassez crônica de água, os habitantes de San Cristóbal identificaram o que consideram o único culpado: a enorme fábrica da Coca-Cola em um dos confins da cidade.

A fábrica tem permissão para extrair 419.774 metros cúbicos de água por ano (1.150.065 litros por dia) como parte de um contrato com o governo federal assinado há várias décadas e que os críticos dizem que é favorável demais para os proprietários da fábrica.

Clique aqui para ler a reportagem do NYT na íntegra (em espanhol).

ÁGUA É UM DIREITO. ÁGUA NÃO É MERCADORIA!

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