Contrários à investida do governo Temer que manobra de todas as formas para tentar passar na Câmara e no Senado a aprovação da privatização da Eletrobras, os eletricitários dos estados de Minas Gerais e Santa Catarina lotaram, nesta segunda-feira (7/5), os auditórios das respectivas Assembleias Legislativas, onde foram realizadas audiências públicas da Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa o Projeto de Lei (PL) federal 9.463/18.

Em Belo Horizonte, o deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG), em alusão ao preço de venda da estatal proposto pelo governo, lembrou que a rede de churrascarias Fogo de Chão foi vendida há pouco tempo por cerca de R$ 2 bilhões, valor que dá a medida de como os R$ 12 bilhões fixados para a Eletrobras é um valor baixo.

O deputado federal Patrus Ananias (PT-MG) disse acreditar que será possível deter o processo de privatização, mas ressalvou que é necessária a mobilização popular contra essa proposta.

Participantes preveem encarecimento da conta de energia

Em ambos os estados (MG e SC), os participantes da audiência descreveram a proposta de privatização da Eletrobras como uma ameaça à soberania nacional e à segurança energética do país e advertiram, também, que a venda da empresa certamente acarretará mais custos para o consumidor, inviabilizando o acesso dos mais pobres à eletricidade.

Em Belo Horizonte, Victor Costa, diretor da Associação dos Empregados de Furnas, apresentou números que retratam o tamanho do patrimônio representado pela Eletrobras que, segundo ele, é a 16ª maior empresa de energia do mundo. Ela detém 31% da capacidade de geração do Brasil: 47 gigawatts instalados em 239 usinas; 47% do sistema de transmissão, com 70,2 mil quilômetros de linhas; e uma rede de distribuição de 258 mil quilômetros, atendendo 4,3 milhões de clientes.

Já o secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores em Minas (CUT-MG), Jairo Nogueira Filho, alertou que a privatização da Eletrobras, que é a maior empresa do setor no Brasil, tornaria quase certa a venda da Cemig e de todo o sistema elétrico, dentro de pouco tempo.

Impactos em Santa Catarina

Para os participantes do encontro na Assembleia Legislativa catarinense, a privatização do sistema elétrico traria inúmeros impactos em Santa Catarina, inclusive na Celesc. Para o deputado Pedro Uczai (PT-SC), além do aumento da energia, o processo de implantação da rede trifásica na zona rural, necessária para atender a demanda da economia agropecuária, ficaria comprometido.

O conselheiro da Celesc Leandro Nunes da Silva afirmou que a privatização da Eletrobrás aumentaria pressão pela venda da empresa pública catarinense para a iniciativa privada. Ele considera que o discurso sobre a ineficiência do serviço público é falso, pois, segundo ele, as duas melhores empresas no setor de distribuição de energia são públicas: a Copel, que é do Paraná, e a catarinense Celesc.

Além da ameaça à soberania nacional, a privatização do sistema elétrico prejudicaria outros aspectos. “A privatização reduz a possibilidade de universalização da energia, por meio do Luz para Todos; e compromete a manutenção de um sistema interligado, como o que temos no Brasil, no qual, quando falta energia em uma região, outra fornece”, afirmou Uczai.

O deputado Dirceu Dresch (PT-SC) afirmou que “não é possível que se entregue um patrimônio que é estratégico e foi construído durante vários anos com dinheiro público nas mãos do capital estrangeiro, de mão beijada”. Ele e Cesar Valduga (PCdoB) lembraram que em muitos países, inclusive nos EUA, o setor energético é 100% estatal, com presença das Forças Armadas no controle. “Muita gente no Brasil se baseia nos EUA como exemplo. Se nem nos EUA o sistema é privatizado, porque aqui seria?”, questionou. (com informações da imprensa das Assembleias Legislativas de Minas Gerais e Santa Catarina)

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