Em agosto do ano passado os eletricitários foram surpreendidos com o anúncio da privatização do Sistema Eletrobras, sabíamos que a luta pela defesa desse estratégico patrimônio nacional seria tremendamente difícil. O governo Temer vinha numa onda arrasadora de destruição de direitos e entrega do patrimônio público e não havia perdido nenhuma votação no congresso.

O presidente da Eletrobras, Wilson Pinto, colocado na empresa com o único objetivo de subtraí-la do povo brasileiro, não hesitou em tentar quebrar a autoestima dos trabalhadores, desqualificando-os, disseminando ameaças de demissão, e incentivando a divisão e a resignação.

Mas nada disso surtiu efeito, os trabalhadores ergueram a cabeça e foram à luta. Foram dezenas de audiências públicas, atos, manifestações nas ruas e nas redes sociais, com a ampla participação da categoria eletricitária. Nesses longos e extenuantes meses conseguimos grandes vitórias, dentre elas e talvez a principal, o apoio da população para a causa da manutenção da Eletrobras pública. Tem sido uma luta memorável com muita articulação política no congresso e mobilização dos trabalhadores.

Nesse período acumulamos força, aglutinamos apoiadores e aliados e concluímos que era a hora de uma ação ousada, uma mobilização que repercutisse na sociedade e demonstrasse à empresa e ao governo entreguista que aqui está uma categoria unida, coesa e mobilizada. Era necessário fazer uma grande greve, uma greve diferente, era preciso mobilizar amplos setores ligados à defesa da soberania nacional e da segurança energética.

Pois foi exatamente isso que os trabalhadores e trabalhadoras da Eletrobras fizeram, fizeram história. A greve de 72 horas da Eletrobras recebeu apoio de dezenas de movimentos sociais, sindicatos, confederações, federações de trabalhadores, partidos políticos e parlamentares. São incontáveis as notas de apoio, a divulgação nas mídias progressistas, os vídeos de apoio que circularam amplamente nas redes sociais, os discursos no congresso nacional e praticamente todos os órgãos da grande mídia também foram obrigados a divulgar a greve dos eletricitários.

Mesmo com toda a torpeza da direção da Eletrobras em tentar nos difamar, mantivemos o Sistema Interligado Nacional funcionando e a população nem por um instante deixou de ser atendida.

Os objetivos da greve eram a manutenção da Eletrobras pública e a imediata saída do presidente da estatal, Wilson Pinto, e nesse sentido saímos amplamente fortalecidos. O governo hoje já fala em retirar o PL 9463 do congresso, o presidente da câmara já diz isso abertamente e o próprio relator já se conscientizou que por agora não há condições políticas para aprovar esse projeto.

A greve de 72 horas foi sem sombra de dúvida a mais importante ação contra a privatização até o presente momento e superou todas as expectativas, porém a guerra não acabou. Se ficou muito mais difícil a privatização das empresas de geração e transmissão, o governo colocou a venda das distribuidoras como questão de honra e não podemos deixar ninguém pelo caminho, a luta é contra a privatização de todas as nossas empresas e não permitiremos que nenhuma delas seja vendida. Ganhamos uma batalha estratégica, mas a luta continua.

#EletrobrasPública
#ForaWilsonPinto

Leia: BOLETIM CNE – Greve Eletricitários – 14.06