Secretário da Juventude da FNU, André Zarpelon, destaca desafios para atrair novas gerações, enfrentar a precarização do trabalho e fortalecer a organização sindical
A FNU participou, nos dias 9 e 10 de setembro, do Encontro da Escola de Jovens da Internacional de Serviços Públicos (ISP). A Federação foi representada por André Zarpelon da Silva, secretário da Juventude da FNU e secretário Regional Serra/Litoral do Sindiágua-RS.
Durante os dois dias, jovens de diferentes categorias profissionais e sindicatos de todo o Brasil discutiram organização sindical, formação de novas lideranças e os desafios para ampliar a participação da juventude no movimento sindical.
Um dos pontos debatidos foi a necessidade de construir espaços nos quais os jovens tenham voz e participação efetiva. Para André, essa discussão precisa considerar também a realidade encontrada por quem chega hoje ao mercado de trabalho, marcada, em muitos casos, pelo subemprego, pela precarização dos vínculos, por diferentes formas de preconceito e pelo desconhecimento sobre o papel da organização coletiva na defesa de direitos. “O trabalho de conscientização é fundamental para que os jovens compreendam que direitos hoje considerados básicos, como férias, décimo terceiro salário e garantias coletivas, são resultado de décadas de organização e mobilização dos trabalhadores e dos sindicatos. Essas conquistas não foram concedidas espontaneamente pelos empregadores, mas construídas por meio de muita luta”, destacou.
O desafio de atrair os jovens
Na avaliação do secretário da Juventude da FNU, a dificuldade de renovar o movimento sindical também está relacionada às transformações do próprio mercado de trabalho e às condições encontradas pelos jovens nas diferentes categorias.
Nos setores representados pela FNU, esse desafio aparece de forma particular. André observa que, no saneamento, por exemplo, determinadas atividades são difíceis e podem envolver trabalho noturno, feriados, Natal e Ano Novo. Ele chama atenção ainda para situações em que jovens ingressam em determinadas funções e acabam deixando o emprego diante de outra oportunidade um pouco mais vantajosa. “Se o mercado não atrai jovens e, quando atrai, atrai para serviços precários, não vai ter jovem no nosso trabalho”, afirmou.
Na avaliação de André, esse cenário também exige das empresas políticas de valorização, atração e retenção dos trabalhadores. Para ele, portanto, discutir a presença da juventude significa olhar não apenas para dentro dos sindicatos, mas também para a qualidade e as condições dos empregos oferecidos às novas gerações. Ao mesmo tempo, André considera que cabe ao movimento sindical intensificar sua presença nos locais de trabalho, aproximar-se dos jovens e fortalecer a organização coletiva: “A gente tem que botar o pé na estrada e fazer o trabalho que tem que ser feito”.
Experiência e renovação
Outro aspecto destacado por André foi a relação entre as diferentes gerações do movimento sindical. Ele lembrou a trajetória de dirigentes que dedicaram décadas à organização dos trabalhadores e enfrentaram períodos muito mais difíceis, inclusive a ditadura, quando, como ressaltou, “não tinha espaço pra nada, não era um ambiente democrático”.
Para ele, reconhecer essa história também significa assumir a responsabilidade pela continuidade da luta e preparar novas gerações para ocupar os espaços de organização e direção. “Para avançar, será fundamental unir a experiência de quem construiu e mantém vivo o movimento sindical à energia, aos anseios e às novas ideias da juventude. É nesse encontro entre experiência e renovação que podemos fortalecer a organização dos trabalhadores e construir perspectivas de um futuro melhor”, afirmou.
Essa renovação também é fundamental para preservar conquistas históricas e avançar em pautas que estão hoje no centro das reivindicações da classe trabalhadora. André cita, entre elas, o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho.
“O movimento está acontecendo”
A troca de experiências proporcionada pela Escola de Jovens também mostrou que, apesar das dificuldades, há experiências de renovação e fortalecimento sindical acontecendo em diferentes partes do país.
André contou que ouviu relatos de dirigentes sobre sindicatos que ampliaram significativamente o número de associados, reorganizaram suas estruturas e conseguiram ampliar a organização dos trabalhadores em suas bases.
Para quem vive diariamente os desafios da atividade sindical, essas experiências ajudam a colocar em perspectiva um trabalho cujos resultados nem sempre aparecem rapidamente.
A avaliação com que André saiu do encontro, porém, foi positiva. Ao conhecer experiências de outros sindicatos e conversar com jovens que também estão envolvidos na construção cotidiana de suas entidades, ele percebeu que a renovação está acontecendo, ainda que a passos lentos. “Em alguns momentos talvez pareça, mas não é. O movimento está acontecendo”, afirmou.
Para o secretário da Juventude da FNU, o encontro foi também uma oportunidade de retornar às atividades com novo ânimo. “A gente dá uma oxigenada”, definiu.
A participação da FNU na Escola de Jovens da ISP reforça uma tarefa estratégica para o movimento sindical: formar novas lideranças, aproximar a juventude da organização coletiva e construir a renovação necessária para dar continuidade às conquistas históricas e enfrentar os novos desafios do mundo do trabalho.

