Mais um “presente” de Romeu Zema (Novo) ao povo de Minas Gerais, a Copasa foi privatizada a preço de banana, e a maior parte da empresa foi entregue para a Equatorial Energia, que ficará como a controladora. Essa é mesma controladora da Sabesp, empresa de águas e esgoto de São Paulo que, desde que assumiu, viu aumentar em 70% as reclamações de usuários sobre o serviço.
A privatização foi concluída na terça-feira (16/6) na B3 em São Paulo, e 30% ficaram com a Equatorial Energia, grupo que tem a maior parte do seu capital pulverizado em ações de livre circulação. Os principais sócios da empresa são fundos globais como a BlackRock, Opportunity e Squadra. Outro grupo, o fundos Perfin, ligado ao BTG Pactual, adquiriu 12,76% da Copasa. Desse modo, a Perfin passa a ter cerca de 20% das ações da Copasa. O estado manterá uma participação de 5%, mantendo também poder de veto em decisões estratégicas mediante uma golden share.
Duas empresas assim, passam a controlar a distribuição de água para a população de Minas Gerais, com o fim de aumentar suas próprias riquezas. Nós já mostramos quem está por trás da Perfin aqui, que inclui José Roberto Ermírio de Moraes Filho, da família dona da Votorantim, e Ralph Gustavo Rosenberg, doador da campanha de Bolsonaro em 2022.
Já a Equatorial tem como principal acionista o Opportunity, de Daniel Dantas, que atua como um abutre desde as privatizações promovidas por Fernando Henrique Cardoso. Junto a eles como acionistas está, sempre ela, a BlackRock, braço do imperialismo americano e maior gestora de recursos do mundo. E, com cerca de 4,6% das ações da Equatorial, o Canada Pension Plan, fundo de pensão soberano canadense, o que mostra o peso que os fundos de pensão globais vem tendo nas privatizações e na exploração de recursos em diversos países. Segundo o próprio governador mineiro, aumentou também a fatia de investidores estrangeiros na Copasa.
A Copasa gera um lucro anual de R$ 1,42 bilhão no ano passado e a participação do governo mineiro foi vendida pelo total de R$ 8,4 bilhões, ou seja, foi dada de presente para grupos de capitalistas especularem em cima dos serviços de água e esgoto fornecidos à população mineira.
A Equatorial já tem mostrado a qualidade de seus serviços no fornecimento de água através da gestão da Sabesp, em São Paulo. Recentemente a Sabesp foi responsável por uma explosão no bairro do Jaguaré, Zona Oeste da capital paulista, que deixou 3 mortos e destruiu cerca de 10 casas, fruto da privatização da companhia e da demissão de trabalhadores, incluindo trabalhadores experientes e treinados. A falta de investimentos deixou a grande São Paulo perto de passar por uma nova crise hídrica. E, ao contrário do que havia dito o governador Tarcísio de Freitas, as tarifas continuaram sendo reajustadas, subindo 6,11% em 2026, mesmo discurso de Mateus Simões.
Não há muita razão para crer que o caminho tomado pela Copasa será muito diferente do da Sabesp. Os trabalhadores da Copasa fizeram uma importante luta no ano passado contra a privatização, com sua greve. É preciso seguir a luta pela reestatização de todos os serviços públicos, sob controle de seus trabalhadores e usuários, contra os capitalistas e os governos que lucram com a precarização dos serviços públicos.
fonte: Esquerda Diário
