Urbanitários criticam proposta apoiada por setores patronais e alertam que a chamada modernização das relações de trabalho não pode ocorrer às custas dos direitos dos trabalhadores.

A Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) manifesta seu repúdio ao conteúdo da carta divulgada pelo chamado Movimento Pró-Brasil e por entidades empresariais em defesa da PEC 12/2026, denominada “PEC do Trabalho Flexível”.

Apresentada como uma proposta de ampliação da liberdade de escolha dos trabalhadores, a iniciativa ignora uma realidade fundamental das relações de trabalho: empregados e empregadores não negociam em condições de igualdade. Em um país que ainda é marcado pelo desemprego, pela informalidade e pela insegurança econômica, a chamada “livre escolha” frequentemente se transforma na imposição das condições mais favoráveis ao empregador.

A FNU reafirma sua defesa da redução da jornada de trabalho sem redução salarial e do fim da escala 6×1, pautas históricas do movimento sindical brasileiro e alinhadas à luta da CUT e das centrais sindicais por melhores condições de vida para a classe trabalhadora.

Ao contrário do que sugere o manifesto empresarial, a discussão sobre redução da jornada não se trata de impor um modelo único de organização do trabalho, mas de garantir mais tempo para a convivência familiar, o estudo, o descanso, o lazer, a participação social e o cuidado com a saúde física e mental dos trabalhadores e trabalhadoras.

Os avanços tecnológicos, o aumento da produtividade e as transformações ocorridas no mundo do trabalho ao longo das últimas décadas precisam beneficiar também quem produz a riqueza do país. A redução da jornada vem sendo debatida e adotada em diferentes países como uma alternativa para ampliar a qualidade de vida dos trabalhadores e trabalhadoras e promover melhores condições de trabalho.

A FNU também rejeita a tentativa de apresentar os interesses empresariais como se fossem interesses gerais da sociedade. A carta divulgada pelas entidades patronais foi construída a partir da perspectiva de setores econômicos preocupados com custos e flexibilidade operacional, enquanto milhões de trabalhadores seguem enfrentando jornadas extensas, deslocamentos demorados, sobrecarga física e mental e dificuldades para conciliar trabalho e vida pessoal.

Para os urbanitários, que atuam diariamente nos setores de energia, saneamento, gás e meio ambiente, a discussão sobre jornada de trabalho possui impacto direto na saúde, na segurança operacional e na qualidade dos serviços prestados à população. Trabalhadores descansados, valorizados e protegidos significam também serviços mais seguros e eficientes.

A FNU seguirá defendendo a valorização do trabalho, a proteção dos direitos sociais, a melhoria da qualidade de vida da população trabalhadora e o fortalecimento de políticas que coloquem as pessoas acima dos interesses econômicos.

Reduzir a jornada é ampliar a dignidade. Flexibilizar direitos não é modernização. Moderno é garantir que o desenvolvimento econômico caminhe junto com justiça social, trabalho decente e qualidade de vida para todos.

9 de junho de 2026.
Federação Nacional dos Urbanitários – FNU