Diante do aumento brutal da violência, presidente Lula diz que ‘homens que prestam’ precisam defender as mulheres brasileiras — todas elas.

O Brasil atravessa um dos períodos mais difíceis desde que o feminicídio passou a ser tipificado como crime. Só em 2025, mais de mil mulheres foram assassinadas, e outras 2,7 mil sobreviveram a tentativas de feminicídio até setembro. Por trás das estatísticas, há histórias interrompidas, famílias destruídas e um padrão de violência que se repete cotidianamente.

A escalada brutal de casos durante os 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas provocou uma reação forte de movimentos feministas, entidades sociais e lideranças políticas. Entre elas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que fez um discurso contundente em Pernambuco, cobrando responsabilidade dos homens.

Eu, Luiz Inácio Lula da Silva, oitenta anos de idade, vou liderar o movimento dos homens que prestam nesse país para que a gente possa defender as mulheres brasileiras”, afirmou o presidente, reforçando que agressão não tem justificativa e que o país precisa de um grande movimento nacional contra a violência de gênero.

Márcia Lopes, ministra das Mulheres, também classificou como “inacreditável” o nível de violência contra brasileiras e lembrou que o problema é histórico, enraizado no machismo e na naturalização das agressões. Segundo ela, o governo intensificou ações com estados e municípios, ampliou a rede de atendimento, reforçou o Ligue 180 e iniciou programas de prevenção nas escolas.

O presidente da FNU, Pedro Damásio, reforça que a luta é de todos, mulheres e homens:
“Os homens precisam assumir seu papel nessa transformação. O silêncio e a omissão também matam. É hora de cada um se posicionar, denunciar e apoiar as mulheres que correm risco.”

Grande ato nacional neste domingo

A resposta da sociedade já está nas ruas. O movimento Levante Mulheres Vivas convocou um grande ato nacional para domingo, 7 de dezembro, com mobilizações em mais de 15 cidades. A orientação é clara: ocupar os espaços públicos, vestidas de roxo, com faixas e cartazes, para exigir que a vida das mulheres seja tratada como prioridade.

Para a Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), o momento exige união, coragem e ação coletiva. A secretária da Mulher da FNU, Sônia Mendes, afirma que “a cada feminicídio, perdemos uma vida e escancaramos a falência de uma sociedade que insiste em naturalizar a violência. Não é possível seguir adiante sem enfrentar essa realidade de maneira firme e contínua.”

A FNU destaca que combater a violência de gênero é uma responsabilidade de toda a sociedade — e que o poder público precisa fortalecer, ampliar e garantir o funcionamento de políticas de prevenção, proteção e acolhimento.

ATO NACIONAL “LEVANTE MULHERES VIVAS”

Domingo, 7 de dezembro – a partir das 8h (horários variam por cidade)
Vista roxo e ocupe as ruas.

Centro-Oeste

  • Brasília (DF): 10h – Feira da Torre de TV
  • Campo Grande (MS): 13h – Em frente ao Aquário do Pantanal
  • Cuiabá (MT): 14h – Praça Santos Dumond

Nordeste

  • São Luís (MA): 9h – Praça da Igreja do Carmo (Feirinha)
  • Salvador (BA): 10h – Barra (do Cristo ao Farol)
  • Fortaleza (CE): horário a confirmar
  • Parnaíba (PI): 16h – Em frente ao Parnaíba Shopping
  • Teresina (PI): 17h – Praça Pedro II

Norte

  • Belém (PA): 8h – Boulevard da Gastronomia
  • Manaus (AM): 17h – Largo São Sebastião

Sudeste

  • Belo Horizonte (MG): 11h – Praça Raul Soares
  • Rio de Janeiro (RJ): 12h – Posto 5, Copacabana
  • São Paulo (SP): 14h – Vão do MASP
  • São José dos Campos (SP): 15h – Largo São Benedito

Sul

  • Porto Alegre (RS): 17h – Praça da Matriz
  • Curitiba (PR): 10h – Praça João Cândido (Largo da Ordem)
  • Florianópolis (SC): horário a confirmar

    *Com informações do Portal CUT