Os trabalhadores da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) realizaram, nos dias 7 e 8 de outubro, uma paralisação de 48 horas. A mobilização foi uma resposta à proposta apresentada pela Direção da empresa, que manteve a oferta de reajuste salarial em 4%, índice inferior à inflação do período, com avanços muito limitados nas cláusulas sociais. A proposta foi rejeitada de forma unânime pela categoria.
A primeira contraproposta da EPE para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) foi apresentada somente sete meses após o recebimento da pauta reivindicatória dos trabalhadores, no início de maio. A empresa é comandada por Thiago Prado, que atuou como diretor do Departamento de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME) durante o governo Bolsonaro antes de assumir a presidência da EPE.
Além do desgaste com a lentidão do processo negocial, o movimento é uma resposta à iminência de mais uma perda salarial real, em um cenário onde os rendimentos já encolheram mais de 21% entre 2014 e 2025. As reivindicações incluem, além da reposição inflacionária, o avanço em outras cláusulas econômicas (como o aumento do auxílio-saúde e alimentação), a garantia de direitos sociais e a resolução de pendências de acordos anteriores. Entre estas pendências, destaca-se a implementação de um novo Plano de Cargos e Salários e a manutenção do regime de trabalho híbrido nos moldes atuais. Outro ponto de conflito é a tentativa da Direção de impor uma norma de demissão lesiva aos trabalhadores, contra a qual os trabalhadores exigem uma cláusula no ACT que assegure a estabilidade no emprego.
Apoio político e fortalecimento da mobilização
A mobilização, que já nasceu forte, vem conquistando a adesão de um número crescente de trabalhadores. Parlamentares, como o deputado Reimont, já se manifestaram publicamente em apoio à mobilização e buscam articular com o governo uma solução para destravar as negociações. Diante do impasse, dos trabalhadores decidiram convocar uma nova paralisação, desta vez de 72 horas, a partir da próxima terça-feira.
As entidades sindicais e a comissão de negociação esperam que a empresa, agora vinculada a um governo de caráter democrático e popular, retome a mesa de diálogo com disposição para fechar um acordo que atenda às demandas dos trabalhadores.
Fonte: Ascom Sintergia-RJ
