Uma das resoluções do Encontro Sub-regional (SUBRAC Brasil 2022), realizado pela ISP – Internacional de Serviços Públicos, nos últimos dias 10 e 11 de agosto, em São Paulo-SP, é a formação do Comitê sobre Mudanças Climáticas, que se somará aos comitês já formados, como: de Jovens, de Mulheres, LGBTQIA+ e de Combate ao Racismo.

A FNU, que participou presencialmente do encontro representada por seu presidente Pedro Blois, é uma das entidades sindicais que integra o novo comitê. Blois destaca a importância do debate do tema que também está diretamente ligado ao mundo do trabalho. Ele lembrou, por exemplo, que em 2019, a Organização Mundial do Trabalho (OIT) apresentou projeções sobre os impactos do estresse térmico na produtividade laboral e sua interferência na alteração das horas trabalhadas.

Pedro Blois ainda ressalta a amplitude do tema que passa pela “transição energética justa”. “Atualmente estamos experimentando uma nova transformação no modelo produtivo e econômico que apresenta novos desafios para as formas de trabalho”, disse.

A dirigente sindical do Sindicato dos Urbanitários da Paraíba (Stiupb), Gisleide Dantas Geminiano Leite, Secretária de Mulheres, eleita para a nova direção da FNU, participou também participou do Encontro, e forma virtual, na reunião do Comitê de Mulheres.

O Subrac discutiu as perspectivas das lutas internacionais, pautas e ações prioritárias para a classe trabalhadora, contando com representantes de sindicatos de servidores públicos municipais e de federações de todo o Brasil. A ISP é uma federação sindical global que representa 20 milhões de mulheres trabalhadoras e trabalhadores que prestam serviços públicos vitais em 163 países.

Ao final do encontro foi aprovada e lida a Resolução em Defesa da Democracia – SUBRAC Brasil 2022.

Leia na íntegra:

Resolução em Defesa da Democracia lida e aprovada no SUBRAC Brasil 2022. A nossa luta é todo dia, sem liberdade sindical não há democracia!

Nós trabalhadoras e trabalhadores representados pelas entidades signatárias desta Resolução, filiadas à Internacional de Serviços Públicos e reunidas nos dias 10 e 11 de agosto de 2022 no Encontro Sub regional nacional (SUBRAC Brasil) – declaramos nossa adesão à mobilização nacional em defesa da democracia e por eleições livres.

Somos um sindicato global organizado em 154 países e que reúne 700 sindicatos, representando 30 milhões de trabalhadoras e trabalhadores em todo o mundo.

Historicamente, a nossa luta por democracia vem desde os locais de trabalho até o nível nacional e internacional. Os locais de trabalho são onde as práticas antissindicais, o assédio moral e sexual, o negacionismo negocial e a repressão acontecem.

O autoritarismo e os ataques à democracia, no plano público, têm início nos locais de trabalho e visam subjugar a pessoa, quebrando sua auto -estima e minando sua saúde física e mental. Portanto, nossa luta por democracia e dignidade é cotidiana vem de longe.

Quando ocorreu, em 2016, o Golpe contra a Presidenta Dilma Rousseff, o movimento sindical brasileiro previa o mal que estava por vir. Porém, não tínhamos exatidão do ponto de rebaixamento a que chegaríamos.

A cassação era a face golpista visível, porém, por trás da máscara e na mira, estavam as liberdades democráticas e os direitos humanos, civis, trabalhistas e sociais. O autoritarismo pretendia se espraiar e comandar as relações humanas no plano nacional.

A prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva em 2018, primeiro colocado nas pesquisas eleitorais presidenciais também naquele ano – como agora em 2022- complementou o cenário e a drámática sensação de que a conta seria paga pelo povo. E foi, atingindo duramente o tripé de vulnerabilidade, estruturante das desigualdades sociais: gênero, raça e classe.

Em 2019, o governo federal extinguiu vários conselhos, espaços nacionais de concertação, diálogo social e negociação. Privatizou serviços essenciais e destruiu políticas públicas fundamentais para a superação das desigualdades. E sabemos que sem ampla e plena participação popular e controle social, a garantia de serviços públicos de boa qualidade torna-se inalcançável.

A deterioração foi rápida e no momento – prestes a serem concluídos quatro anos de governo Bolsonaro – a dignidade da grande maioria do povo brasileiro foi tirada, a fome voltou e o desemprego e informalidade assombram milhões de brasileiras e brasileiros.

O ápice do autoritarismo, conduta política que é guiada pelo desprezo à maioria e pelos privilégios a poucos, costuma se manifestar em períodos de intensa crise. Em 2020 e ao longo de toda a pandemia, Bolsonaro zombou das mortes e do sofrimento das famílias enlutadas, negou a ciência, se recusou a adotar as medidas sanitárias recomendadas e não tomou as providências necessárias para proteger a população, muito menos quem precisou trabalhar nos serviços essenciais.

Para nós , os obstáculos à organização dos trabalhadores e à consolidação de seu papel de pressão e negociação coletiva não são meros impactos vinculados aos diferentes contratos de trabalho, são também fruto do caldo cultural autoritário que insiste no negacionismo aos espaços políticos de participação popular e ao diálogo social. Obtusa, essa visão não consegue valorizar o legado dos avanços e acúmulos democráticos.

Nesse contexto de desmonte e sofrimento coletivo, Jair Bolsonaro se vê em baixa popularidade e como estratégia política, coloca em dúvida e ataca a legitimidade do sistema eleitoral, intensificando uma escalada autoritária, por meio de ameaças da ruptura com o estado democrático de direito.

Entendemos que as possibilidades de derrotar Bolsonaro e todo o retrocesso que ele representa, depende de nossa capacidade de organização, mobilização e conscientização. Por isso nos somamos à grande frente da sociedade em defesa da democracia e contra as constantes ameaças golpistas.

Estamos unidos no compromisso de intensificar a luta para derrotar Bolsonaro e o Bolsonarismo nas urnas e nas ruas e garantir a volta da normalidade democrática em nosso país. Somos contrários à violência política que o atual presidente estimula, mais uma vez, para usá-la como manutenção de seus próprios privilégios e de uma casta antipovo.

A união nacional em defesa da democracia é símbolo da consciência de que manter Bolsonaro no poder seria outro passo rumo à mais retirada de direitos e a um regime de ataques coordenados ao povo trabalhador e aos serviços públicos.

Seguimos lutando por direitos e pela democracia, em defesa da vida do povo acima do lucro.

São Paulo, 11 de agosto de 2022.