Em boletim, o CNE – Coletivo Nacional dos Eletricitários – aborda o desafio de ser dirigente sindical e o caso do companheiro da Chesf demitido por estar na luta em defesa da coletividade. 

Nesta segunda-feira (17/9), eletricitários de todo o país participaram de atos contra demissão arbitrária e sem justificativa na Chesf. Leia aqui.

Veja o boletim do CNE na íntegra:

Ser Dirigente Sindical nos dias de hoje é um desafio, principalmente depois de uma “Reforma Trabalhista”que teve o único objetivo de desmontar as estruturas protetivas dos trabalhadores/as, que levaram anos para serem construídas e por duras penas mantidas. A estabilidade do dirigente sindical tem previsão constitucional, e mesmo que se tente relativizar, sua existência não está somente na Carta Magna, mas também, em diplomas legais inferiores, na jurisprudência e também na doutrina. Para que haja a demissão de um Dirigente Sindical, é necessário que esteja demonstrada a “Falta Grave” e isso seja apurado em Inquérito Judicial.

Independentemente da questão jurídica, o olhar deve ser político, pois, ficar inerte sem protestar, com a demissão de um dirigente sindical é fortalecer a investida contra outros/as que estão nessa difícil missão. O Movimento Sindical deve ultrapassar as pautas imediatas de somente negociar salário e benefícios, o que está em jogo é a manutenção das garantias conquistadas com dificuldade, e se houver a omissão por parte de quem deve levantar a bandeira das lutas, a quem recorreremos?

O trabalhador da CHESF Gerson Francisco dos Santos Junior é um daqueles jovens lutadores e idealistas, que mesmo jovem, com pouco tempo de empresa, se comparado a nós, não ficou inerte com o desafio de lutar, ingressou nas fileiras do SINDURB PE, abrindo mão de uma carreira onde haveria toda a progressão funcional, não dispensada aos sindicalistas, sabendo de todos os riscos que corria, mas, mesmo assim decidiu lutar.

O que se vê hoje, e cada vez mais, são os jovens perdendo o interesse pela luta em busca de direitos difusos e coletivos, muito se vê é a luta por conquistas individuais, mas, Gerson Francisco fugiu do que se chama “Lugar Comum”que é aquilo que se acentua de forma banal ou está repleto de repetições. Ele decidiu lutar e nós não podemos deixa-lo lutar só. Hoje está sendo ele, amanhã poderá ser qualquer um de nós.

Já lemos o processo que culminou com sua demissão, é um processo falho e repleto de ilegalidades, que será enfrentado na esfera judicial, caso não haja uma intenção da empresa em negociar. Mas, a disposição de luta e mobilização, somente ela poderá por um freio no ímpeto das empresas, orientadas sabemos por quem.

Por tudo isso, a Coordenação do CNE pede a cada Dirigente Sindical, que se indigne contra essa arbitrariedade e faça sua mobilização realizando assembleias e discuta com seus Companheiros/as, ou do contrário, hoje será ele, e amanhã poderá ser eu ou você.

PARA REFLEXÃO:

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miseráveis

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertolt Brecht

Leia: BOLETIM CNE 17 09 2018

 

 

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