O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou, nesta quarta-feira (29), que a tramitação do projeto de lei que trata da privatização da Eletrobras pode ser prejudicada pela dinâmica das eleições municipais. O parlamentar participou de evento promovido pelo Credit Suisse, em São Paulo.

Segundo ele, deputados e senadores sensíveis ao assunto poderão trabalhar para obstruir o andamento do texto e que, a depender de como os pontos mais sensíveis forem tratados, será preciso montar um cronograma para a votação da proposição apenas no final do ano.

Entre os pontos mais complexos envolvendo o processo de desestatização da companhia, o parlamentar cita a questão envolvendo o elevado número de funcionários de grandes subsidiárias da companhia, como em Furnas, que amplia a sensibilidade de políticos com bases eleitorais nessas regiões.

“O ideal era que a Câmara tivesse acabado o processo no ano passado e avançasse no Senado no primeiro semestre [deste ano]. Se esses problemas não tiverem solução rapidamente, será preciso montar cronograma para votação ao final do ano. Alguns deputados e senadores não vão querer que a matéria tramite”, disse.

Maia também cobrou envolvimento direto do governo federal no convencimento da sociedade e dos parlamentares neste processo. “Todo mundo quer privatizar até sentar na cadeira. Depois de sentar na cadeira diz que a empresa é eficiente. A Caixa Econômica era pra fazer um downsizing (redução) dela e daqui a pouco ela vai virar o maior banco do Brasil. Está corajoso o presidente da Caixa, não está?”, provocou.

“O governo faz tão bem [o trabalho de comunicação com seus eleitores], faz tão bem para atacar a gente. Poderia fazer também para aprovar a [privatização da] Eletrobras”, emendou.

Otimismo com as reformas

Se por um lado, no caso da Eletrobras, a eleição pode atrapalhar, por outro, Rodrigo Maia acredita que o pleito pode servir como estímulo para os parlamentares votarem novos pontos da agenda de reformas.

“Tem deputado candidato a prefeito. Se conseguir votar a reforma tributária, como vai perder uma eleição? Impossível”, disse em entrevista a jornalistas ao final do evento

“O Brasil quer a reforma tributária, quer a administrativa. Nós queremos simplificar o sistema e queremos, no médio prazo, reduzir a carga tributária e os impostos no Brasil. Só vai fazer isso se fizermos as reformas”, argumentou.

Durante o evento, o presidente da Câmara dos Deputados disse que a reforma tributária deve ser aprovada no plenário da casa até abril deste ano, prazo com quem trabalha o relator do texto, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), líder da maioria.

Maia também disse que a reforma administrativa será tratada com atenção pelos parlamentares assim que for encaminhada pelo governo. Segundo ele, existe uma expectativa de que a proposta seja apresentada na próxima semana, quando o Congresso Nacional volta do recesso.

Fonte: Marcos Mortari -InfoMoney

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