Evento realizado em Porto Alegre reuniu representantes sindicais de todo o país para debater proteção aos trabalhadores, fortalecimento dos serviços públicos e estratégias diante dos impactos crescentes das mudanças climáticas

A FNU participou, entre os dias 15 e 17 de julho, em Porto Alegre (RS), do seminário “Crise Climática, Serviços Públicos e Trabalho Seguro: Preparação sindical para catástrofes, reconstrução e proteção de trabalhadoras e trabalhadores”, promovido pela Internacional de Serviços Públicos (ISP Brasil). A Federação esteve representada pelo presidente, Pedro Damásio, e pela secretária-geral, Iara Nascimento, reafirmando seu compromisso com a defesa dos serviços públicos, da valorização dos trabalhadores e da construção de políticas capazes de enfrentar os desafios impostos pela emergência climática.

O encontro reuniu dirigentes sindicais de diversas regiões do país para discutir como as mudanças climáticas têm impactado diretamente o mundo do trabalho e os serviços públicos, especialmente após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. A programação abordou temas como preparação sindical para situações de emergência, reconstrução de serviços públicos, saúde e segurança no trabalho, negociação coletiva, proteção social e transição justa.

Ao longo dos três dias de atividades, especialistas, pesquisadores e representantes de entidades sindicais compartilharam experiências e debateram estratégias para fortalecer a atuação das organizações dos trabalhadores diante de eventos climáticos extremos, reconhecendo que secas, enchentes, ondas de calor e outros desastres já fazem parte da realidade brasileira e exigem respostas permanentes do poder público e das entidades representativas.

Para o presidente da FNU, Pedro Damásio, o seminário reforçou a necessidade de incorporar definitivamente a pauta climática à agenda sindical: “as mudanças climáticas já afetam diretamente a vida da população e o trabalho dos urbanitários. Os profissionais do saneamento, da energia e de outros serviços públicos essenciais estão entre os primeiros a responder em situações de emergência. Por isso, precisamos fortalecer os serviços públicos, proteger quem está na linha de frente e construir, por meio da negociação coletiva, mecanismos permanentes de prevenção, segurança e resposta às crises climáticas”.

Um dos principais consensos do encontro foi que não existe adaptação climática sem serviços públicos fortes e trabalhadores protegidos. Durante os debates, ficou evidente que profissionais da saúde, saneamento, energia elétrica,assistência social, defesa civil, educação, limpeza urbana, segurança pública e demais áreas essenciais atuam na linha de frente durante as catástrofes, muitas vezes enfrentando jornadas exaustivas, riscos à saúde física e mental e ausência de protocolos específicos para situações extremas.

Inclusão da reparação para eventos climáticos nas negociações coletivas

Outro tema amplamente discutido foi a necessidade de incluir a preparação para eventos climáticos nas negociações coletivas, estabelecendo protocolos de emergência, medidas de proteção aos trabalhadores, planos de contingência, investimentos em infraestrutura resiliente e ações voltadas à saúde física e mental das categorias expostas aos riscos decorrentes das mudanças climáticas.

A secretária-geral da FNU, Iara Nascimento, destacou que o movimento sindical precisa ampliar sua atuação diante desse novo cenário. Ela explicou que “a crise climática deixou de ser apenas uma pauta ambiental. Ela passou a fazer parte do cotidiano dos trabalhadores e das trabalhadoras e desafia também a organização sindical. Participar deste seminário foi uma oportunidade de trocar experiências, construir estratégias coletivas e fortalecer a defesa de políticas públicas que coloquem a vida, os serviços públicos e os trabalhadores no centro das decisões”.

O seminário também reforçou o conceito de Transição Justa, defendendo que as respostas à crise climática estejam associadas à geração de trabalho decente, à proteção social, à participação dos trabalhadores nas decisões e ao fortalecimento das políticas públicas. A experiência vivida pelo Rio Grande do Sul durante as enchentes foi apresentada como exemplo da importância do planejamento, da prevenção e da atuação coordenada entre Estado, serviços públicos e organizações sindicais para reduzir os impactos dos desastres sobre a população.

Promovido pela ISP Brasil, organização que representa milhões de trabalhadores dos serviços públicos em todo o mundo e da qual da FNU é filiada, o seminário reafirmou que preparar os sindicatos para atuar antes, durante e após as emergências climáticas tornou-se uma tarefa estratégica.

Para a FNU, que representa trabalhadores dos setores de energia, saneamento, gás e meio ambiente, participar desse debate significa fortalecer a luta por serviços públicos cada vez mais estruturados, resilientes e capazes de proteger tanto a população quanto aqueles que garantem seu funcionamento diariamente.