As entidades representativas dos trabalhadores do Cepel tomaram conhecimento de mais duas demissões de pesquisadores ocorridas ontem (10/06), em uma mesma área do Cepel, prefigurando o que ninguém queria: o definhamento e consequente encerramento das atividades do maior Centro de Pesquisas de Energia Elétrica da América Latina. Essas demissões não são fato isolado, mas dão continuidade a uma série de demissões e fechamento de áreas e laboratórios estratégicos. Embora seja chocante esta realidade, ela já era uma morte anunciada desde que foi se configurando, se desenhando no horizonte e finalmente se consumando o processo de privatização da Eletrobrás entregue na “bacia das almas” a um grupo de especuladores e usurpadores que detendo uma ínfima participação das ações ordinárias da empresa mantêm o seu comando daquilo que o Presidente da República nomeou de o “maior roubo da história”.

A gestão da atual empresa, que no passado recente foi chamada de Eletrobrás, trocou de nome, travestiu-se de empresa “moderna”, impôs uma política perversa, pervertida e deletéria ao Cepel. Nunca o Cepel foi tão submisso, administrativa e financeiramente sufocado e porque não dizer garroteado pela Eletrobrás como na pós-privatização. Da boca pra fora a diretoria do Cepel apregoa que tem autonomia para buscar novos recursos, mas na prática, ao ter seu Diretor Geral como também Diretor da Eletrobrás e ser ditatorialmente comandada por um VP da Eletrobrás, o Cepel segue a risca sua lógica, sua política equivocada, imediatista que entra em contradição insolúvel com a existência da instituição. Este será o desfecho do processo lento de canibalização do Cepel desencadeado pela privatização dolosa da empresa mãe, denominada Axia, mas para o Cepel, na melhor das hipóteses seria uma ANOREXIA.

As duas demissões perpetradas são de pesquisadores que atuavam na transição energética, atividade central nas empresas que estão realmente na vanguarda. Alega-se que “eles não se pagavam”, ou seja, o Cepel vive o pior dos mundos, submetido a lógica privatista tacanha que se impôs, atomizando os trabalhadores e ignorando a sinergia do trabalho em equipe, que é o que de fato traz resultados. Somente tem direito a existência aqueles que contribuírem para fazer o Cepel faturar e lucrar? Até quando? Isso é de estranhar para uma Associação sem Fins Lucrativos. E dar lucro para quem? Não para a sociedade, nem para o setor elétrico, mas principalmente para aumentar os resultados e dividendos que contribuem para a remuneração de gestores e VP´s da vida.

Em resumo, é a lógica bancária de atingir metas financeiras de curto prazo e fora da realidade. Tais metas tornam-se ainda mais inalcançáveis quando se corta na base (quem executa os projetos), descartando-se profissionais experientes de alto gabarito, conforme o Boletim Linha Viva de 18/05/2026. Naquele mesmo boletim alertamos para o risco de se configurar demissão em massa. E fala-se que há planos de demitir mais trabalhadores… Demissão em massa pode gerar mais passivos trabalhistas para o Cepel… Fica aqui novamente o alerta para que o centro evite incorrer nesse erro.

Ao mesmo tempo em que se demite ou se deixa de contratar pessoal nas áreas técnicas ocorreu uma reestruturação que aumentou substancialmente o número de gerências na empresa. Não conseguimos entender a lógica dessa reestruturação, uma vez que há limitações de recursos humanos e financeiros para executar projetos e serviços para o centro.

As entidades sindicais estão trazendo essas informações e chamando a atenção do Governo que ainda detêm 43% das ações da Eletrobrás e tem todo o direito de retirar o Cepel da alçada da Eletro-privada, dar-lhe um novo destino, uma nova governança e colocá-lo a serviço da sociedade como vinha fazendo nesses últimos quase-cinquenta anos de existência. Finalmente uma pergunta que não quer calar: essa montoeira de VPs e Diretores “se pagam”? Sustentam com o seu trabalho tudo o que recebem?

Fonte: Ascom Sintergia-RJ