Resposta enviada à FNU destaca que denúncias de violência política de gênero, assédio moral e misoginia não podem ser naturalizadas nos espaços de representação sindical

O Ministério das Mulheres encaminhou resposta oficial à Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) manifestando apoio e solidariedade à companheira Júlia Margarida, trabalhadora urbanitária e ex-dirigente sindical, diante das denúncias de violência psicológica, violência política de gênero, assédio moral e práticas de misoginia no exercício de suas funções sindicais.

O posicionamento do Ministério foi enviado à FNU após o encaminhamento da “Moção de Solidariedade e Apoio à Companheira Júlia Margarida”, aprovada durante o 14º Encontro Nacional dos Urbanitários (ENU), realizado em maio deste ano, em Natal (RN).

No documento encaminhado ao Ministério das Mulheres, a FNU destacou que a moção enfatiza o compromisso das entidades signatárias com a defesa da ética, da democracia, da participação das mulheres nos espaços de poder e do enfrentamento à violência política de gênero no movimento sindical.

Na resposta oficial, assinada pela ministra Márcia Helena Carvalho Lopes, o Ministério afirma que não compactua com ações destinadas a intimidar, silenciar ou constranger lideranças femininas no exercício de suas atividades públicas e sindicais. O documento também ressalta que casos dessa natureza não são fatos isolados, mas fazem parte de um contexto mais amplo de ameaças à participação política e social das mulheres nos espaços de representação e decisão.

O Ministério das Mulheres também reforça que práticas de violência política de gênero contra mulheres que ocupam espaços de poder e representação são incompatíveis com o Estado Democrático de Direito e devem ser tratadas com seriedade pelas instituições envolvidas.

Outro ponto destacado no documento é a referência à Lei nº 14.192/2021, que trata da violência política contra a mulher, além dos princípios constitucionais relacionados à dignidade da pessoa humana, igualdade de direitos e combate a todas as formas de discriminação.

Para a FNU, a manifestação do Ministério das Mulheres representa um importante reconhecimento institucional da gravidade das denúncias e reforça a necessidade de enfrentamento à violência política de gênero, ao assédio moral e à misoginia dentro dos espaços sindicais e de representação coletiva.

A moção aprovada no 14º ENU foi construída como uma demonstração de solidariedade à companheira Júlia Margarida e como um posicionamento político em defesa da participação das mulheres no movimento sindical, do respeito às lideranças femininas e da construção de ambientes livres de violência e discriminação.

A FNU segue atuante em seu compromisso histórico com a defesa da democracia, dos direitos das mulheres trabalhadoras, da igualdade de gênero e do combate a todas as formas de violência, assédio e misoginia nos espaços de trabalho e organização sindical.

Leia Ofício do Ministério das Mulheres em resposta à FNU:
Oficio_61697430 – MINISTRA DE ESTADO DAS MULHERES

Leia: Moção de Solidariedade e Apoio à Companheira Júlia Margarida