Desde a privatização das empresas da Eletrobras, especialmente no âmbito da AXIA ENERGIA NORTE – antiga Eletronorte no Maranhão, as entidades sindicais vêm denunciando uma expressiva redução do quadro de pessoal, estimada em aproximadamente 60%, atingindo de maneira mais severa justamente as áreas vinculadas à atividade-fim da companhia, especialmente os setores de operação, manutenção, proteção e equipamentos do sistema de transmissão de energia elétrica.

Tal cenário acende um alerta permanente quanto aos impactos operacionais e de segurança decorrentes da diminuição de equipes técnicas altamente especializadas em atividades que envolvem elevado risco elétrico, atuação em instalações de alta tensão, atendimento emergencial, manobras operacionais e manutenção de equipamentos estratégicos do Sistema Elétrico de Potência (SEP).

A preocupação sindical reside no fato de que a redução substancial do efetivo, aliada ao aumento das exigências operacionais, pode contribuir para a sobrecarga de trabalho, o aumento da exposição ao risco, o desgaste físico e mental dos trabalhadores e a maior vulnerabilidade operacional do sistema, circunstâncias que dialogam diretamente com as exigências preventivas atualmente previstas nas NR-1, NR-10, NR-33 e NR-35.

A INTERSINDICAL NORTE – SINDINORTE acompanha com atenção os desdobramentos relacionados aos recentes acidentes e quase acidentes registrados nas instalações da AXIA ENERGIA NORTE – antiga Eletronorte, especialmente os episódios ocorridos nas subestações de Presidente Dutra e Peritoró, fatos que vêm gerando crescente preocupação entre trabalhadores, entidades sindicais e a sociedade.

Em resposta ao Ofício nº 151/2026 do STIU/MA, a AXIA ENERGIA NORTE, por meio da Correspondência CE PR 0013/2026, informou que instaurou comissão de investigação multidisciplinar, realizou a emissão das CATs, prestou assistência médica aos trabalhadores atingidos e adotou medidas emergenciais de reforço operacional e de segurança, incluindo orientação para que atividades em equipamentos entre 4,17 kV e 24 kV sejam executadas exclusivamente com os equipamentos desenergizados, além do reforço na utilização de vestimentas retardantes à chama, proteção facial e luvas isolantes compatíveis.

A INTERSINDICAL NORTE – SINDINORTE registra como positiva a formalização dessas medidas pela empresa. Entretanto, diante da gravidade dos episódios recentes e do histórico de ocorrências já denunciadas pelas entidades sindicais em boletins anteriores, entende ser indispensável que a AXIA ENERGIA NORTE e a AXIA ENERGIA demonstrem, de forma clara, documentada e permanente, quais providências estruturais vêm sendo efetivamente adotadas para a adequação integral às normas regulamentadoras aplicáveis às atividades de geração, transmissão e manutenção em instalações elétricas de alta tensão.

As atividades desenvolvidas no Sistema Elétrico de Potência envolvem riscos elevados e permanentes, exigindo rigor absoluto no cumprimento das Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego, especialmente:

NR-1 – Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO/PGR), incluindo os riscos psicossociais recentemente incorporados pela Portaria MTE nº 1.419/2024;

NR-10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade;

NR-35 – Trabalho em Altura;

NR-33 – Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados;

além das normas técnicas complementares relativas a arco elétrico, energia incidente, bloqueio, aterramento temporário, permissões de trabalho, APR, inspeções e manutenção preventiva.

Os recentes acontecimentos na SE Presidente Dutra, subestação de 500 kV, revelam discussões importantes acerca de procedimentos operacionais, inspeções preventivas, adequação de EPIs, etiquetagem de risco, condições de cubículos antigos, documentação operacional e protocolos de segurança.

Da mesma forma, o episódio ocorrido em Peritoró reforçou o alerta sobre a necessidade de investimentos permanentes em manutenção, planejamento operacional, modernização de equipamentos e fortalecimento das equipes técnicas.

Outro fator que preocupa as entidades sindicais é a redução progressiva do quadro técnico-operacional nas áreas de manutenção, proteção, equipamentos e operação do sistema elétrico, realidade apontada em levantamentos sindicais recentes, os quais indicam significativa diminuição de profissionais em setores estratégicos da empresa.

Em sistemas elétricos de alta complexidade, a redução do efetivo, associada ao aumento da carga operacional, ao acúmulo de atribuições, à pressão por produtividade e à ampliação das responsabilidades técnicas, pode representar fator relevante de agravamento dos riscos ocupacionais, operacionais e psicossociais.

A atualização da NR-1 trouxe justamente a necessidade de que as empresas passem a avaliar, de maneira integrada, os fatores organizacionais e humanos relacionados à saúde e segurança do trabalho, incluindo sobrecarga laboral, jornadas extensas, pressão operacional, estresse ocupacional, fadiga e impactos decorrentes de mudanças estruturais nas organizações.

Por essa razão, a INTERSINDICAL NORTE – SINDINORTE reafirma a necessidade de que a AXIA ENERGIA NORTE e a AXIA ENERGIA apresentem às entidades sindicais:

• inventário atualizado dos riscos ocupacionais e psicossociais;

• plano de ação efetivo de adequação ao GRO/PGR;

• informações sobre inspeções, manutenção preventiva e modernização de equipamentos;

• demonstração das medidas adotadas para adequação às exigências da NR-10, NR-33 e NR-35;

• dados sobre o dimensionamento das equipes técnicas e operacionais;

• políticas de prevenção de acidentes, quase acidentes e falhas operacionais;

• participação efetiva das representações sindicais nos processos de acompanhamento e fiscalização social das medidas de segurança.

A defesa da vida, da integridade física e da saúde dos trabalhadores deve permanecer acima de qualquer lógica meramente financeira ou operacional.

Segurança não pode ser tratada como formalidade burocrática.

Segurança exige investimento, planejamento, efetivo adequado, manutenção permanente e valorização dos trabalhadores e trabalhadoras do setor elétrico.

fonte: INTERSINDICAL NORTE – SINDINORTE