Artigo: Lucas Tonaco*
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A Finlândia é um país nórdico localizado no norte da Europa, com uma área territorial de aproximadamente 338.145 km². Sua população é estimada em cerca de 5,5 milhões de habitantes. O país possui uma vasta rede hidrográfica, com mais de 180.000 lagos e rios diversos, sendo o maior lago o Saimaa e o rio mais longo o Kemijoki.

O sistema legal e institucional relacionado à água na Finlândia é regido principalmente pela Lei de Água (Vesilaki), que foi promulgada em 2011 e possui um total de 40 artigos. Essa legislação estabelece as bases para o uso sustentável dos recursos hídricos no país, abrangendo questões como a gestão dos corpos d’água, proteção da qualidade da água, outorga de licenças de uso e responsabilidades das autoridades envolvidas.As principais instituições responsáveis ​​pela gestão da água na Finlândia incluem a Agência Finlandesa do Meio Ambiente (SYKE) e a Administração Finlandesa da Água (ELY). A SYKE é responsável por supervisionar a qualidade da água, realizar pesquisas e monitorar os corpos d’água do país. Por sua vez, a ELY é responsável por conceder licenças de uso de recursos hídricos, além de desenvolver e implementar programas de gestão e proteção da água em nível regional. Ambas as instituições contam com recursos para o cumprimento das suas funções, sendo que, em 2020, o orçamento da SYKE foi de aproximadamente 63 milhões de euros, enquanto o ELY teve um orçamento de cerca de 542 milhões de euros. Além disso, a SYKE emprega mais de 600 funcionários, e a ELY conta com aproximadamente 2.300 funcionários.

O Lago Saimaa é o maior lago da Finlândia e desempenha um papel fundamental tanto em aspectos hidrográficos quanto médicos do país. Com uma área total de aproximadamente 4.400 km² e um comprimento de cerca de 250 km, o Lago Saimaa é uma importante via navegável que conecta várias cidades e regiões no leste da Finlândia. Além disso, o lago é uma fonte crucial de água doce, fornecendo recursos hídricos para abastecimento de água, agricultura e indústria na região. Estima-se que o Lago Saimaa abra cerca de 11.000 ilhas, o que o torna uma atração turística significativa, ansiosa para a economia local e nacional.O Lago Saimaa tem uma importância profunda para as etnias que vivem nas suas margens. A região do lago é habitada por pobres finlandesas, bem como pela minoria de língua e cultura careliana. Os carelianos têm uma forte conexão histórica e cultural com a região e são conhecidos por suas tradições, músicas e danças distintas. O Lago Saimaa tem sido uma parte essencial da vida dessas comunidades, fornecendo alimento, água e recursos naturais, além de desempenhar um papel significativo em suas práticas culturais e crenças tradicionais. Ao longo dos anos, o lago tem sido uma fonte de inspiração para muitas obras literárias e artísticas, preservando e valorizando a herança cultural única das comunidades que o cercam.Apesar de sua importância cultural e econômica, o Lago Saimaa também gera conflitos relacionados ao uso de seus recursos naturais. A construção de hidrelétricas e a navegação comercial intensiva têm sido temas de debate e conflito entre as comunidades locais, grupos ambientalistas e autoridades governamentais.

O abastecimento de água na Finlândia é predominantemente gerido por empresas municipais, que são geralmente propriedade dos municípios locais. Essas empresas são responsáveis ​​por fornecer água potável e tratar o esgoto em suas respectivas autoridades. De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente da Finlândia, mais de 90% da população finlandesa recebe água potável de empresas municipais. Existem cerca de 250 empresas municipais de abastecimento de água em todo o país. Essas empresas têm sido eficazes em fornecer água potável de alta qualidade para a população, garantindo que mais de 99% dos finlandeses tenham acesso à água potável segura e limpa.Os conflitos relacionados ao abastecimento de água na Finlândia têm sido mais focados em questões de gestão e tarifas. A descentralização da responsabilidade para as empresas municipais pode levar a variações nas práticas de gestão e no nível das tarifas em diferentes regiões. Os conflitos também podem surgir quando há necessidade de investimentos em infraestruturas de água para atender ao crescimento populacional e às demandas de desenvolvimento. No entanto, a Finlândia tem enfrentado esses desafios de forma eficaz, através da cooperação entre as autoridades locais, governamentais e reguladoras. O sistema de abastecimento de água da Finlândia é amplamente considerado como bem organizado e eficiente, e os conflitos tendem a ser resolvidos por meio de diálogo e cooperação entre todas as partes envolvidas.

As mudanças climáticas afetaram significativamente a questão da água na Finlândia, principalmente no que diz respeito ao derretimento do gelo e ao aumento das temperaturas. Um estudo publicado pela Academia da Finlândia destacou que as mudanças climáticas já estão afetando a hidrologia do país, com aumento das médias de temperatura, redução do período de congelamento dos lagos e rios, bem como alterações nos padrões de reserva. O derretimento do gelo na região ártica tem contribuído para o aumento do nível do mar, o que também pode atingir a disponibilidade e a qualidade da água doce na costa finlandesa, onde muitas cidades estão localizadas.Projeções futuras indicam que as mudanças climáticas continuarão a ter impactos climáticos na questão da água na Finlândia. Estima-se que até o final do ano, o país poderá experimentar uma redução significativa na disponibilidade de água durante os meses de verão, afetando tanto o abastecimento de água potável quanto a produção de energia hidrelétrica por século. Além disso, o aumento das temperaturas e mudanças nos padrões de precipitação podem levar a eventos climáticos mais extremos, como secas prolongadas e enchentes, que podem ter consequências graves para a agricultura, a biodiversidade e a infraestrutura. Para enfrentar esses desafios, a Finlândia está investindo em pesquisas e medidas de adaptação, incluindo o desenvolvimento de tecnologias de conservação de água.

Água e Inteligência na Finlândia

O sistema de inteligência e segurança nacional da Finlândia é regulamentado pelo Serviço de Inteligência da Finlândia (Supo) e pela Agência de Segurança da Informação e Comunicações (Vestikoelaitos). As leis que regem essas instituições incluem a Lei de Inteligência da Finlândia e a Lei de Segurança da Informação e Comunicações. Essas instituições têm a responsabilidade de proteger os interesses nacionais, garantindo a segurança interna e externa do país, incluindo a prevenção de ameaças à infraestrutura crítica, como abastecimento de água e energia.Em relação ao enfrentamento das mudanças climáticas e questões relacionadas à água, a Finlândia tem adotado uma abordagem abrangente que envolve várias estratégias e planos de ação. O Plano de Ação Nacional de Adaptação à Mudança Climática da Finlândia (2014) estabelece diretrizes para aprimorar a resiliência do país diante dos impactos das mudanças climáticas, incluindo a gestão dos recursos hídricos. Além disso, o Plano Nacional de Recursos Hídricos da Finlândia (2021) visa garantir o uso sustentável da água, a proteção dos corpos hídricos e a prevenção de riscos relacionados à água. O país também tem recursos financeiros alocados para implementar essas estratégias, com um orçamento anual para a adaptação ambiental estimado em cerca de 400 milhões de euros em 2021. Essas iniciativas refletem o compromisso da Finlândia em enfrentar os desafios das mudanças climáticas e garantir a segurança de seus recursos hídricos para as gerações futuras. (Fonte: Governo Finlandês, Ministério da Agricultura e Florestas, Ministério do Meio Ambiente)

Lucas Tonaco – secretário de Comunicação da FNU, dirigente do Sindágua-MG, acadêmico em Antropologia Social e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

 


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