Encontro reuniu mais de 70 dirigentes sindicais de todo o país em João Pessoa para debater diversidade, saneamento, setor elétrico e transição energética, além de eleger a direção que conduzirá a Federação pelos próximos quatro anos

A Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) encerrou, na sexta-feira (7/8), em João Pessoa (PB), seu 25º Congresso Nacional, após dois dias de debates, deliberações e definição dos caminhos que orientarão a atuação da entidade nos próximos anos. Mais de 70 dirigentes dos sindicatos filiados participaram das atividades, presencialmente e de forma virtual, representando diferentes regiões do país.

Realizado na sede do Sindiágua-PB, o Congresso colocou em discussão temas que estão no centro das preocupações da classe trabalhadora e do ramo urbanitário, entre eles o avanço das privatizações no saneamento, os desafios do setor elétrico, a transição energética, a diversidade, os direitos das mulheres e da população LGBTQIAPN+, além da luta pela democracia, redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6×1.

O encontro também marcou a eleição da direção que estará à frente da FNU pelos próximos quatro anos, com a reeleição de Pedro Damásio para a Presidência da Federação.

Plenária abre primeiro dia de atividades

A programação teve início na quinta-feira (6/8) com a Plenária Anual Estatutária da FNU, espaço destinado às discussões e deliberações internas da Federação. Dirigentes de todo o país participaram dos trabalhos, que antecederam a abertura do 25º Congresso.

Entre os temas da Plenária estiveram o Regimento Interno, a situação de entidades recém-filiadas ou que solicitaram regularização de sua filiação e o  balanço financeiro de 2025.

À tarde, teve início o Congresso. A mesa de abertura contou com o presidente da FNU, Pedro Damásio; o presidente do Sindiágua-PB e conselheiro fiscal da Federação, Geraldo Quirino, anfitrião do encontro; o presidente da CUT-PB, Tião Santos; e o vereador de João Pessoa Marcos Henrique (PT).

Ao dar as boas-vindas às delegações, Tião Santos destacou a importância de a FNU reunir dirigentes de diferentes estados para discutir questões diretamente relacionadas à vida dos trabalhadores e ao futuro dos serviços essenciais. “Para nós da Central dos Trabalhadores é uma satisfação muito grande. É importante fazer esse debate do saneamento, do meio ambiente. São pautas de extrema importância para que a gente possa discutir, tirar encaminhamentos e fazer nossas intervenções enquanto trabalhadores, sindicatos, Central e Federação”, afirmou.

Pedro Damásio ressaltou o caráter estratégico do Congresso para a definição das ações da Federação. “Estamos aqui na Plenária da FNU e no Congresso, que são de grande importância para a classe trabalhadora. Vamos discutir saneamento, sistema elétrico, energia e meio ambiente, com companheiros e companheiras de vários estados do Brasil, para construirmos os encaminhamentos da nossa atuação em defesa dos trabalhadores”, afirmou.

Diversidade, direitos e participação política

O segundo dia do Congresso começou com a mesa “Políticas sociais: Mulheres, Raça, LGBTQIAPN+ e Juventude”, reunindo Maria Alzira dos Santos, dirigente do Sindiágua-PB e da FNU; Francisco Márcio Rocha de Freitas, secretário de Políticas LGBTQIAPN+ da Federação; Luzanira Morais de Souza, dirigente do STIU-RO e da FNU; Sônia Mendes, secretária da Mulher Urbanitária da FNU; Aline Marques, dirigente da CUT Nacional e do STIUMA; e Pedro Damásio.

O debate destacou que a defesa da diversidade e o enfrentamento às diferentes formas de discriminação precisam fazer parte da ação cotidiana do movimento sindical, inclusive dentro dos locais de trabalho.

Francisco Márcio chamou a atenção para a necessidade de ampliar o envolvimento das entidades e dos trabalhadores na defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+, especialmente diante das situações de preconceito e discriminação enfrentadas no mundo do trabalho.

Sônia Mendes ressaltou que a defesa dos direitos das mulheres não é uma responsabilidade apenas das próprias mulheres. O enfrentamento à violência, à discriminação e às desigualdades exige o compromisso e a participação de homens e mulheres.

Outro ponto presente no debate foi a importância da participação política. Os dirigentes defenderam a eleição, tanto para o Executivo quanto para o Legislativo, de representantes comprometidos com a democracia, a diversidade e a garantia de direitos.

Fim da escala 6×1 também está na luta da FNU

Durante a discussão, Pedro Damásio chamou a atenção ainda para a luta nacional pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho.

O presidente lembrou que categorias do ramo urbanitário já conquistaram, por meio da negociação coletiva, avanços em relação à escala de trabalho. Isso, porém, não elimina a necessidade de uma mudança na legislação que alcance toda a classe trabalhadora.

Para Damásio, a conquista por meio de Acordos Coletivos de Trabalho precisa ser acompanhada da luta para que o direito esteja assegurado na legislação, uma vez que cláusulas negociadas podem ser modificadas em acordos futuros. A defesa da FNU é de que o fim da escala 6×1 seja uma garantia para todos os trabalhadores e trabalhadoras.

Privatizações avançam no saneamento

A situação do saneamento brasileiro foi tema de outra mesa do Congresso. O assessor de saneamento da FNU, Edson Aparecido da Silva, apresentou um panorama do setor, com destaque para o avanço dos processos de privatização das empresas públicas de saneamento em diferentes estados.

O debate reforçou uma das principais bandeiras históricas da Federação: a defesa do saneamento público e do acesso à água e ao esgotamento sanitário como direitos da população.

Para a FNU, acompanhar os processos em andamento, fortalecer a organização dos trabalhadores e ampliar a articulação entre os sindicatos são tarefas fundamentais diante das mudanças que vêm ocorrendo no setor.

Setor elétrico e transição energética

Os desafios enfrentados pelos trabalhadores do setor elétrico e a transição energética também estiveram no centro das discussões do 25º Congresso.

Nailor Gato, vice-presidente da FNU, apresentou um panorama do setor e propostas de ações para a atuação sindical diante das transformações em curso.

O debate tratou dos impactos dessas mudanças sobre os trabalhadores e da necessidade de participação efetiva de suas organizações na construção dos caminhos da transição energética. Para a Federação, as transformações no setor não podem ocorrer deixando de lado direitos, empregos e condições dignas e seguras de trabalho.

Nova direção para os próximos quatro anos

Após os debates, o Congresso realizou o processo eleitoral para a direção da FNU. Pedro Damásio foi reeleito presidente e estará à frente da Federação pelos próximos quatro anos, ao lado da nova diretoria escolhida pelos delegados e delegadas. Conheça aqui a nova diretoria.

A composição reúne dirigentes que permanecem na direção e novos integrantes que passam a contribuir com a condução da entidade.

Ao final dos trabalhos, Damásio avaliou positivamente os dois dias de Congresso e destacou os desafios da nova gestão.“Chegamos ao encerramento do 25º Congresso da Federação Nacional dos Urbanitários, um Congresso que foi um sucesso. Tivemos a recondução da atual direção, com alguns companheiros novos que chegam para somar, e esperamos, nesses quatro anos, fazer muito mais pela classe urbanitária deste Brasil. Vamos à luta. Estamos aqui para defender os urbanitários e os trabalhadores deste país”, afirmou.

Antes do encerramento, os delegados e delegadas também votaram e aprovaram três moções, incorporando ao Congresso manifestações sobre temas considerados relevantes para a atuação da Federação. Leia: Moção de repúdio aos ataques xenofóbicos contra a vereadora Vanda de Assis

O 25º Congresso terminou ressaltando a unidade entre a FNU e seus sindicatos filiados e o compromisso de fortalecer a organização dos trabalhadores diante dos desafios que se apresentam para o ramo urbanitário.

Com uma nova direção eleita e os encaminhamentos construídos em João Pessoa, a Federação inicia um novo ciclo de quatro anos tendo como eixos a defesa dos direitos, dos serviços públicos, da democracia e da organização da classe trabalhadora.

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