Durante o 25º Congresso da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), realizado nos dias 6 e 7 de agosto, em João Pessoa (PB), dirigentes dos sindicatos filiados aprovaram moção de repúdio aos ataques xenofóbicos sofridos pela vereadora Vanda de Assis (PT), durante sessão da Câmara Municipal de Curitiba (Paraná). No documento, o Congresso manifesta solidariedade à parlamentar e repudia toda forma de xenofobia, preconceito e discriminação. Confira a íntegra da moção:
MOÇÃO DE REPÚDIO AOS ATAQUES XENOFÓBICOS CONTRA A VEREADORA VANDA DE ASSIS
O 25º Congresso da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) manifesta seu repúdio aos ataques xenofóbicos sofridos pela vereadora Vanda de Assis (PT), durante sessão da Câmara Municipal de Curitiba, em 5 de agosto de 2026, e expressa sua solidariedade à parlamentar e a todos os nordestinos e nordestinas vítimas de preconceito e discriminação.
Durante a sessão, que debatia um projeto de lei sobre o cadastro de pessoas em situação de rua, a vereadora Delegada Tathiana Guzella (PL) dirigiu-se a Vanda de Assis afirmando: “Por que que a senhora não volta pro Ceará? (…) A senhora nasceu lá, mas veio encher o saco aqui”.
O ataque torna-se ainda mais contraditório pelo fato de a própria Tathiana Guzella não ser natural de Curitiba. A vereadora nasceu em Caçador, Santa Catarina.
O presidente do SINDIURBANO-PR, Luiz Ceará, manifestou solidariedade à vereadora e repudiou o preconceito contra os nordestinos e seus descendentes que ajudaram e continuam ajudando a construir o Paraná. “Eu também sou filho de retirantes nordestinos que vieram construir o Paraná. Toda nossa solidariedade à vereadora eleita pelo voto popular. E nosso profundo respeito por todos os nordestinos e descendentes que vivem e trabalham no nosso Estado”, afirmou Luiz Ceará.
Logo após os ataques xenofóbicos, a vereadora Vanda de Assis se posicionou. Durante a sessão, o vereador Leonidas Dias (Podemos) interrompeu a palavra e cortou o microfone da delegada.
Vanda de Assis também apresentou representação ao Ministério Público Federal (MPF) contra Tathiana Guzella. No Brasil, a xenofobia é juridicamente equiparada ao crime de racismo.
A vereadora também pediu a abertura de processo no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Curitiba. Porém, a corregedora da Casa é a própria Tathiana Guzella, situação que pode interferir no processo.
Tathiana Guzella é casada com o deputado conhecido como “Xerifão”. Há alguns dias, o SINDIURBANO-PR já havia denunciado que o parlamentar estava com uma barraca de propaganda política dentro do Terminal Pinheirinho, apesar da proibição de qualquer tipo de propaganda nos terminais de ônibus de Curitiba.
Diante desses fatos, o 25º Congresso da FNU repudia toda forma de xenofobia, preconceito e discriminação e reafirma que manifestações dessa natureza não podem ser naturalizadas ou toleradas, sobretudo em espaços de representação democrática.
A diversidade de origens faz parte da história e da construção do nosso país. Nenhum brasileiro ou brasileira pode ser discriminado pelo lugar onde nasceu, por sua origem ou por sua identidade.
Estamos lado a lado com a vereadora Vanda de Assis e com todos e todas que lutam contra a discriminação!
25º Congresso da Federação Nacional dos Urbanitários – FNU
João Pessoa (PB), 7 de agosto de 2026
