FNU – Federação Nacional dos Urbanitários – foi fundada em 20 de novembro de 1951 com o nome de Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Leste e do Sul do Brasil. O nome refletia a base territorial abrangida pela Federação. Os seguintes sindicatos participaram da Assembleia Geral de fundação, realizada na Avenida Presidente Vargas, 3956, 2º andar, sede do Sindicato dos Eletricitários e Gasistas do Rio de Janeiro: Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Energia Hidro e Termoelétrica do Estado da Bahia; Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Energia Hidroelétrica do Estado do Espírito Santo; Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Energia Hidroelétrica de Niterói; Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Energia Termoelétrica e da Produção do Gás de Porto Alegre; Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Energia Elétrica e da Produção de Gás do Rio de Janeiro; Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Energia Hidroelétrica de São Paulo e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas de Santos, São Vicente e Guarujá.

A carta sindical foi assinada no dia 29 de janeiro de 1952 em solenidade no gabinete do Ministro Segada Vianna, no Palácio do Trabalho, somente sendo publicada no Diário Oficial do dia 20 de fevereiro de 1952. É nesta data que a Federação adquire personalidade jurídica.

A eleição para a diretoria efetiva foi realizada em 1º de abril de 1953, sendo registrada chapa única, com Joel Mollica Lemos na cabeça. A eleição contou com a participação de 11 sindicatos. A diretoria seguiu com seu trabalho, apoiando os sindicatos filiados e os em formação.

Após período de normalidade das suas funções, em que ajudou a organizar as lutas dos trabalhadores em todo o país e a articular as reformas de base que a sociedade clamava, a FNU sofre intervenção em 1964 com o golpe militar. Instalada a ditadura, são nomeados interventores que cumpriam o papel determinado pelas forças golpistas militares, o que resultou em um sindicalismo sem combatividade.

Em 1979, com o início de uma reabertura democrática, ainda que de uma forma lenta e gradual, a FNU retoma sua trajetória de lutas e começa a se organizar, elegendo direções legitimadas pela categoria, ampliando sua representatividade de forma nacional, participando na linha de frente de lutas históricas pelo restabelecimento do estado de direito.

Em 1990, a FNU se filia à Central Única dos Trabalhadores – CUT – e começa a liderar, juntamente com os sindicatos, a luta contra a privatização das empresas de saneamento e do setor elétrico, que era uma das prioridades do governo Collor de Mello.

Em 1994, com a eleição do governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, o projeto de privatizações das estatais, o chamado Plano Nacional de Desestatização, aprofunda-se no país. Os trabalhadores das empresas de energia, mobilizados e organizados pela FNU, fazem uma resistência heroica e barram a venda da Eletrobras ao capital transnacional. Foram dias e dias de greve em diversos estados, mas que valeram a pena, pois mostraram que, com organização e unidade, é possível fazer o enfrentamento a um governo antinacional.

A mudança de conjuntura do país em 2002, com a eleição do presidente Lula, trouxe esperança para o povo. O projeto popular e democrático, mesmo com todas as dificuldades que um governo de coalizão enfrenta, conseguiu realizar grandes mudanças, colocando a população, principalmente a mais pobre, como prioridade nas suas ações.

Para os trabalhadores do setor urbanitário foram anos de conquistas. No setor elétrico, a Eletrobras foi reconhecida pela sua importância estratégica, sendo valorizada e passando a receber recursos para investimentos, até mesmo na área social, como o programa ‘Luz para Todos’. Os acordos coletivos foram respeitados, conquistando ganho real nos salários durante todo o período. No saneamento, a pauta da FNU e dos movimentos sociais foi atendida com a criação do Ministério das Cidades.

No governo Lula, também foi implantado o Plansab (Plano Nacional de Saneamento Básico) e a Lei 11.445/07, que estabeleceu as diretrizes nacionais para o setor. Uma conquista que se realizou após anos de muita luta das entidades, sobretudo da FNU, que sempre esteve na vanguarda destas discussões.

O governo da presidenta Dilma Rousseff continuou os avanços e trouxe o PAC – Plano de Aceleração do Crescimento – no saneamento, injetando grandes recursos financeiros, por meio do BNDES, para as empresas estaduais realizarem obras. Em 2012 e 2013, a FNU fez uma grande campanha pela renovação das concessões do setor elétrico. Essa ação visava manter no controle do Estado uma série de ativos da Eletrobras e das empresas estaduais de energia que estavam em vias de serem leiloadas ao capital privado.  A mobilização foi vitoriosa, mesmo que em seu conteúdo não tenha havido, por parte do governo, a atenção em acatar muitas das propostas do movimento sindical na redação final da Lei 12.783/13.

Com o golpe jurídico-parlamentar em 2016, a FNU reforça o seu papel de aglutinadora, reunindo sindicatos e movimentos sociais para barrar a entrega das empresas do setor de saneamento e energia. Hoje, por meio das campanhas ‘Energia Não é Mercadoria’ e ‘Água Pública para o Brasil’, a meta é mobilizar toda a sociedade, mostrando a ação criminosa que representa a venda das empresas estatais de energia e de saneamento, e seus reflexos altamente negativos para a vida das pessoas.

FNU tem lutado juntamente com seus sindicatos contra o governo golpista de Michel Temer, que retira direitos básicos da população, inclusive com a destruição da CLT.

Os desafios continuam e, com 41 sindicatos filiados e presente em todas as regiões do país, a FNU está preparada para liderar os trabalhadores em uma agenda mais plural, que vai da defesa da soberania nacional, passando pelo combate ao racismo e ao preconceito LGBT, pela igualdade de gênero, conquistas nos acordos, entre tantos outros.

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