O processo de privatização da água, a exemplo do que poderá ocorrer com o Aquífero Guarani, segundo o geólogo Luiz Fernando Scheibe, ocorre pela obtenção de concessão de fontes por meio de parcerias, inicialmente, com as prefeituras

A reunião entre o presidente Michel Temer com o presidente da Nestlé, o belga Paul Bulcke; em janeiro, em Davos, na Suíça, com a pauta da privatização do Aquífero Guarani, tem mobilizando um número cada vez maior de ambientalistas. O tema ganha dimensão internacional com a realização do Fórum das Corporações – autodenominado – 8º Fórum Mundial da Água, em Brasília, em março deste ano.

No encontro, a consolidação de acordos entre o governo brasileiro e empresas com vistas à privatização da água no Brasil é o ponto alto da pauta. Segundo o geólogo e professor emérito da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Fernando Scheibe, “essa aproximação de Temer com a Nestlé é muito preocupante”.

Capitalistas

“A água é um direito, humano estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Tem de ser acessível a todos. Ao mesmo tempo, a água é também mais uma fronteira da privatização. E quando se privatiza algo assim, que é extremamente importante, fundamental para a vida, e que todos devem ter o acesso garantido, tira-se a primazia do que é público e entrega-se para o mercado”, observa o especialista.

Destacando o papel das privatizações como fio condutor do neoliberalismo, em que o controle dos bens públicos pelo setor privado é “vendido como se fosse a solução para todos os problemas humanos, quando na verdade é remédio para os próprios capitalistas”, Scheibe pontuou que “empresas como a Nestlée a Coca-Cola querem aumentar o controle sobre o mercado da água não só por se tratar de matéria-prima fundamental para seus principais produtos, mas também para explorá-la enquanto commodity”.

Fórum das Corporações

O processo de privatização da água, segundo Scheibe, ocorre pela obtenção de concessão de fontes por meio de parcerias, inicialmente, com as prefeituras. Este fato ocorre, atualmente, em cidades do circuito das águas em Minas Gerais. As empresas transnacionais tem uma linha de produção que vai desde o engarrafamento à venda; com participação e controle em empresas de saneamento. Trata-se da disputa por uma fatia maior do acesso à água.

“No sul mineiro, a população e entidades ambientalistas enfrentam o assédio da indústria, denuncia Sheibe. “O temor é que a entrega das fontes de água mineral à iniciativa privada; em cidades como Cambuquira e Caxambu, repitam o desastre de São Lourenço. Nesta localidade, a parceria de 25 anos com empresas – atualmente a Nestlé – secou uma das fontes. O caso segue sendo investigado pelo Ministério Público”, acrescenta.

Outro espaço de resistência, segundo o geólogo, é o Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA2018). Este será realizado em Brasília, de 17 a 22 de março; paralelamente ao evento empresarial que terá, entre seus patrocinadores a Sabesp. A estatal vem abrindo seu capital ao setor privado. O governo do Estado de São Paulo; que também protagonizou uma grande crise hídrica, há quatro anos, também patrocina o evento oficial. (fonte: Correio do Brasil)

FAMA 2018 – Fórum Alternativo Mundial da Água

O FAMA 2018 – Fórum Alternativo Mundial da Água-  irá debater questões relativas à água no Brasil e no mundo, principalmente no que se refere à privatização e mercantilização desse recurso.

O FAMA será realizado em Brasília, entre os dias 17 e 22 de março. Para participar e saber mais, acesse: Facebook: @FAMA2018 .

A Federação Nacional dos Urbanitários – FNU -, que apoia e integra a coordenação nacional do FAMA 2018, subscreve o Manifesto do Fórum Alternativo Mundial da Água por entender que “água deve estar a serviço dos povos de forma soberana, com distribuição da riqueza e sob controle social legítimo, popular, democrático, comunitário, isento de conflitos de interesses econômicos, garantindo assim justiça e paz para a humanidade”.

Afinal, água é direito, não mercadoria.

 

 

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