O governador Eduardo Leite (PSDB) foi vaiado, nesta terça-feira (5), no plenário da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, quando ocupou a tribuna para apresentar uma mensagem ao Parlamento e defendeu a retirada da exigência de plebiscito para a privatização da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Companhia Riograndense de Mineração (CRM) e Sulgás.

Funcionários das três empresas públicas, munidos de faixas e cartazes, ocuparam as galerias e se manifestaram com veemência contra a venda do patrimônio público.

Medo do plebiscito

Após cerca de meia hora de discurso sobre a crise financeira do Estado, o governador abordou a questão da democracia participativa, buscando jogar palavras para esconder o medo do plebiscito. Segundo ele, “o plebiscito levado à população sem análise de custos operacionais, de oportunidades de mercados, de alterações tecnológicas, lança para a decisão de todos e, consequentemente, para a responsabilidade de ninguém”, afirmou.

Leite ignorou a importância de consultar a população, como prevê a Constituição, e defendeu que os representantes eleitos devem tomar as decisões complexas. “A democracia representativa não existe por causa da impossibilidade de reunir todos os gaúchos em praça pública, mas sim porque se delega a responsabilidade da tomada de decisões a esse Parlamento a partir de dados e capacidade de análise”, falou.

Ao ser vaiado pelos servidores, ele disse considerar a manifestação legítima, mas alertou os deputados: “peço aos senhores que não ouçam apenas os grupos que aqui se manifestarão, mas escutem o silêncio de uma maioria do povo gaúcho, que aguarda os resultados nas ruas da nossa tomada de decisões. O silêncio da maioria também precisa ser escutado”.

Oposição rejeita privatizações e defende revisão dos incentivos fiscais

Para o deputado Pepe Vargas (PT), Leite está usando fórmulas antigas para a venda do patrimônio. “O que precisa ser feito é a revisão dos incentivos fiscais. Não é possível que o Estado abra mão de milhões em incentivo todos os meses. Se o governador quer privatização, que cumpra a Constituição e faça o plebiscito para consultar a população.

“Este é um direito, garantido na Constituição, que deve ser respeitado”, reforçou o deputado Luiz Fernando Mainardi (PT), lembrando que o povo gaúcho conhece muito bem os problemas das privatizações e, por isso, é majoritariamente contrário à venda do patrimônio público.

Frente em Defesa do Patrimônio Público

Na próxima segunda-feira (11), às 9h, dirigentes de sindicatos e federações que representam funcionários de empresas estatais estaduais e federais voltam a se reunir na sede da CUT-RS, em Porto Alegre, para organizar o relançamento da Frente em Defesa do Patrimônio Público.

O evento está marcado para o dia 21 de fevereiro (quinta-feira), às 18h, no Teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa. “Vamos mostrar aos deputados e ao povo gaúcho que é preciso manter essas empresas, que são estratégicas para o desenvolvimento econômico e social do Estado e do País e ainda são lucrativas, contribuindo para injetar preciosos recursos nos cofres dos governos. Se privatizar, adeus empresas públicas e lucros futuros”, salientou o secretário de Comunicação da CUT-RS, Ademir Wiederkehr.

Fonte: CUT-RS

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