A explicação para a proposta sobre o PPR 2020/2021 apresentada pela Sanepar é uma só: seu compromisso único com os acionistas. E para agradar essa turma, a diretoria está disposta a tudo, inclusive desprezar o próprio funcionário – que é quem carrega a empresa nas costas e a faz funcionar. Infelizmente, está cada vez mais claro que a diretoria tem afastado a companhia do objetivo principal que é o de servir o povo do Paraná. Transformaram a Sanepar em um “puxado” do mercado financeiro. O resultado disso são os acionistas, gente que nem deve saber onde fica a Sanepar, ficando mais ricos ao custo do trabalhador sanepariano e da população do Paraná. Isso fica evidente quando se verifica como a empresa se movimentou desesperadamente, movendo mundos e fundos, para conseguir aumentar a tarifa de água sem levar em conta a crise sanitária e seus efeitos na vida dos paranaenses. Levando em conta os lucros astronômicos dos últimos anos, a empresa poderia muito bem absorver o impacto da pandemia no bolso dos paranaenses. Mas claro, isso só se a empresa respeitasse sua história e o objetivo para o qual foi criada. Como esse objetivo se desvirtuou no caminho, o resultado é uma companhia que só pensa no lucros dos acionistas… o trabalhador e população que vão às favas.

Infelizmente, é essa a realidade. Senão como explicar a proposta absurda da empresa em oferecer o mínimo para o trabalhador no PPR 2020 sem levar em conta os problemas ocasionados pela pandemia que prejudicaram o atingimento das metas? Independente da pandemia, o sanepariano estava lá para fazer o sistema rodar. Ele não tem culpa se a satisfação do cliente não foi atingida ou se o pedido de ligações de água caiu. É preciso verificar o momento atípico da pandemia e da escassez de chuva que explicam tudo isso. Qual o poder de decisão do trabalhador sobre essas situações? Nenhuma. Ao contrário, o trabalhador, mesmo com todos os riscos, foi para o batente, fez a empresa rodar, fez a empresa garantir água e saneamento para todos. Seu trabalho foi um grande aliado no combate à pandemia. É inacreditável a falta de sensibilidade da Sanepar em reconhecer o esforço do próprio funcionário. A impressão é que vê o trabalhador como um inimigo a ser combatido, dominado, enquanto que os acionistas são tratados com o mais puro beija mão. É preciso que a empresa retire essas metas do cálculo do PPR já que trabalhador não pode ser responsabilizado pelo contexto atual. É uma questão de bom senso.

Sobre o PPR de 2021, é fato que a empresa só está garantindo a linearidade porque a lei que derrubou o artigo que garantia a distribuição igualitária só vale há partir de 2023. O trabalhador já ficou no prejuízo com o fim da obrigatoriedade do índice de 25% a ser distribuído com a empresa apresentando um índice de apenas 7,65% para o valor do PPR. Agora, se já é preocupante o valor que a empresa apresentou para esse ano, mais preocupante ainda é o que a empresa planeja para os próximos anos, pois a Sanepar simplesmente lavou as mãos e não quer se comprometer com nada. Quer deixar tanto o percentual como a forma de distribuição do PPR para os próximos anos em aberto. Simplesmente quer ficar com total autonomia para decidir o que bem entender sobre o valor e a distribuição do PPR para cada ano. A empresa quer ficar com a faca e o queijo na mão. E aí, companheiros e companheiras, se deixarmos isso em aberto agora, tudo pode acontecer. É uma proposta grave pois não dá garantia e segurança nenhuma sobre o PPR dos próximos anos, o que inadmissível. É claro que a empresa usa essa estratégia de caso pensado. Quanto menos garantia para os trabalhadores, mais chance de assegurar mais lucros para os acionistas.

Com isso, só reforça o que dissemos acima. Enquanto trata o próprio funcionário com descaso, beija a mão dos acionistas. É preciso que a empresa se comprometa já. Sem lenga, lenga. Com hombridade e dignidade. É isso que vamos cobrar na próxima reunião. Ou é isso ou a cobra vai fumar. Se liga, Sanepar.

Fonte: Ascom Sindaen

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