Quando Mauricio Macri assumiu como presidente da Argentina em dezembro de 2015, os 51% da população que o elegeral pelas urnas estavam felizes e esperançosos de que a mudança política ia trazer prosperidade e novos ares, mas a lua-de-mel durou pouco. Apenas um mês depois, o ministro da Energia, José Aranguren, ex-presidente da Shell no país, fez o “sinceramiento” das tarifas básicas de luz e gás –ou seja, trouxe as tarifas “para a realidade”, como fala no Brasil o presidente da Petrobras, Pedro Parente.

A primeira medida foi devastadora: não só os argentinos passaram a pagar a luz mensalmente (antes a cobrança era bimestral), como a conta veio com um aumento de 350%. Sem anestesia. No meio do ano de 2016, o aumento da tarifa de energia elétrica alcançava 400%. Enquanto o desfalque no salário do trabalhador ocorria, o presidente Macri declarava, justificando a medida: “Se em pleno inverno você está de camiseta e sem meia, significa que está consumindo energia demais”.

O futuro não seria diferente. O ano de 2017 veio e os aumentos em luz e gás continuaram, mas não foram os únicos. Houve também um aumento sem precedentes que quiseram passar despercebido na conta de água, também em torno dos 400%. Se no começo os eleitores do Cambiemos, aliança política de Macri, utilizavam a mesma frase do governo, de que “pagávamos pouco”, com os aumentos incessantes a toada deixou de se repetir.

Segundo o site El Destape, o aumento na conta de luz alcançou, em dois anos, nada menos que 2800%. Estima-se que o gás subiu entre 500% e 1000% desde que Macri chegou ao poder. E assim o argentino vai se preparando para enfrentar o inverno.

Somado ao corte nos subsídios, o salário do trabalhador literalmente se desfez. Segundo um estudo da Universidade Nacional de Avellaneda, desde que Macri assumiu, o poder aquisitivo do argentino caiu mais do que a de qualquer outro trabalhador da América do Sul: -6,1%. Enquanto isso, o poder aquisitivo na Bolívia de Evo Morales, que não entrou na onda neoliberal, teve um crescimento de 8,2% no mesmo período, assim como o Uruguai de Tabaré Vasquez e o Chile de Michele Bachelet. O atual salário mínimo argentino só alcança 28% da cesta básica.

“O processo de deterioração do poder de compra na Argentina se que produziu em 2016 reverte a tendência que se apresentou em grande parte dos 12 anos precedentes”, destaca o estudo. Com o mercado interno destroçado, o descontrole das faturas de energia, a depender do lugar ou zona em que se viva, trouxe números surreais. As pequenas e médias empresas são as mais afetadas: algumas têm faturas mais altas até que o valor do aluguel, algo impensável aqui ou em qualquer lugar do mundo. Uma rotisseria na grande Buenos Aires chega a pagar mais de 11 mil pesos de luz (quase 1900 reais ao câmbio de hoje).

Ao mesmo tempo que “sincera” as contas, o governo não parece ser nada sincero nos números que divulga: em março, Macri anunciou que a pobreza caiu 25,7%, coisa que ninguém consegue enxergar ou acreditar. Eles dizem que há, nas palavras do presidente, um “crescimento invisível”. Mas, como dizia Perón citando Aristóteles: “A única verdade é a realidade”.

E a realidade é que o poder aquisitivo dos argentinos se corroeu, a classe média não chega ao fim do mês, os pobres aumentando e a única medida que toma este governo que chegou com a bandeira de “pobreza zero” é a de empobrecer mais os argentinos a cada dia. Se fosse mesmo sincero, um slogan mais próximo à realidade seria “pobreza 100”.

No Brasil, o gás de cozinha já subiu 54% desde que Temer assumiu. Se levar a cabo seu plano de privatizar a Eletrobras, a conta de luz aumentará automaticamente até 16,7%, segundo a Aneel, a agência reguladora do setor. No último dia 19, Temer assinou um decretoautorizando estudos para a privatização da empresa, que precisa ser autorizada pelo Congresso Nacional. (fonte: Socialista Morena)

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