Cerimônia de Abertura da exposição “Arpilleras bordando a resistência” acontece nesta terça (6 de novembro), às 19 horas, no Centro Cultural Justiça Federal (Av. Rio Branco, 241 – Rio de Janeiro – RJ). Mostra traz conjunto de 20 telas em tecido costuradas pelas mãos de mulheres atingidas por barragens em todo Brasil

Inspiradas pelo exemplo histórico das arpilleristas chilenas, mulheres do MAB denunciam violações e buscam direitos através da costura - Créditos: Divulgação/ MABO Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) apresenta no Rio de Janeiro a exposição “Arpilleras: bordando a resistência”. A partir desta quarta-feira (7/11) até o início de dezembro a mostra vai estar à disposição do público no Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF), no centro do Rio, gratuitamente. As obras abordam o impacto da construção de barragens na população local e trata de temas relacionados ao direito à água, informação, acesso à políticas públicas e a exploração sexual de mulheres.

A exposição traz um conjunto de 20 telas de tecido confeccionadas por muitas mulheres que tiveram seus direitos negligenciados pelo avanço da construção do setor elétrico no Brasil. “Essa mostra no Rio tem como foco a violação de direitos dos atingidos por barragens e também as suas revindicações em busca de direitos”, explica Alexania Rossato da coordenação nacional do MAB.

Entre linhas, cores e agulhas cada peça retrata uma forma única e artística de narrar o cotidiano pelas mãos das atingidas. Sendo também a expressão das suas próprias reflexões documentadas através da costura. O Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF) fica na Avenida Rio Branco e a mostra estará de terça a domingo nas galerias do 2º andar das 12h às 19h.

Bordando a resistência

Arpilleras é uma técnica têxtil com raízes na tradição popular do Chile que surgiu em Isla Negra. O trabalho realizado por mulheres da região era feito como forma de subsistência, no qual se costuram retalhos de tecido sobre fibra vegetal chamada juta, “arpillera”, em espanhol.

Entre as décadas de 70 e 90 o bordado se transformou em uma importante ferramenta política de denúncia pelas mãos das mulheres chilenas contra o autoritarismo. Diante das diversas violações praticadas pela ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) contra os direitos humanos, um afazer cotidiano virou símbolo de transgressão.

Essa mesma técnica vem sendo resgatada desde 2013 no Brasil pelo Coletivo de Mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em diversas oficinas pelo país. Elas produzem narrativas e testemunhos em tecido sobre as violações ambientais, culturais e sociais impostas na construção de hidrelétricas. “São peças feitas por mulheres de todos os estados, esse trabalho vem sendo feito há 5 anos inspirado pelas mulheres chilenas que enfrentaram a ditadura militar com as arpilleras”, diz Alexania.

O resultado desse trabalho é a formação de uma rede de mais de 100 peças costuradas por mais de 800 mulheres atingidas em 14 áreas de barragem espalhadas por todo território nacional. Dessas obras, 20 vão compor a exposição que acontece no Rio de Janeiro. Nos dias 29/11 e 01/12 a mostra também exibirá o documentário “Arpilleras: bordando a resistência” que denuncia as violações a partir do protagonismo de cinco mulheres atingidas por barragens em cinco regiões brasileiras. (fonte: Brasil de Fato)

Exposição
Data: 7/11 a 02/12
Terça a domingo – 12h às 19h
Local: Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF). Av. Rio Branco, 241 – Centro – Rio de Janeiro – RJ. Galerias do 2º andar.

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