O desvio de água do Lago de Furnas para abastecer a hidrovia Paraná-Tietê tem sido a hipótese mais usada para explicar os baixos volumes do reservatório nos últimos tempos. E embora a situação tenha ficado ainda mais evidente depois das chuvas que assolaram Minas este ano, o problema já vem sendo denunciado há quase um ano por políticos e pela população local.

De acordo com um material divulgado nas redes sociais pelo deputado estadual Professor Cleiton, ele teria recebido a primeira denúncia do desvio no início de seu mandato, em março do ano passado. A partir daí o deputado foi responsável por apresentar o primeiro requerimento para que fosse realizada uma audiência pública para discutir o tema na Assembleia Legislativa de Minas.

Entretanto, o problema pode ter começado bem antes da denúncia, como revela um vídeo divulgado também na rede social do deputado. Nele, o empresário e jornalista de Formiga, Paulo Coelho, que possui um empreendimento voltado para o turismo no lago, relata que a baixa do nível de água começou a ser notada por ele já há cerca de 10 anos e que a hidrovia seria a causa do esvaziamento.

A hidrovia Paraná-Tietê, segundo o DNIT, é uma das principais hidrovias em operação no Brasil e abrange os estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais. Ela é uma importante via de escoamento da produção das regiões Sudeste e Centro-Oeste e até de estados do Norte, além de ter um papel importante na ligação com o Mercosul.

De acordo com reportagem da Rede Mais TV, afiliada da Record, a empresa que gerencia a hidrelétrica de Furnas, a Eletrobrás Furnas, negou o desvio de água para a bacia Paraná-Tietê e afirmou cumprir as normas dos órgãos reguladores. Entretanto, um ofício do presidente da empresa enviado ao senador Antônio Anastasia em dezembro de 2019 mencionava que a hidrovia poderia ser afetada caso houvesse mudanças na cota mínima estabelecida para o Lago de Furnas.

O ofício foi lido em partes por Professor Cleiton em um vídeo em sua rede social. Na ocasião, o documento era uma resposta ao senador depois dele pedir esclarecimentos sobre a cota mínima de 762m que é reivindicada pelos municípios e pelos setores de turismo, agronegócio e piscicultura da região.

Nele, o presidente de Furnas cita como possível impacto ambiental da elevação da cota mínima da represa a impossibilidade de garantir pleno atendimentos aos requisitos de navegação da hidrovia Paraná-Tietê, podendo levar à sua paralisação no período de seca.

A cota de 762 tem sido uma das principais reivindicações dos municípios e da Frente Parlamentar Itamar Franco, da qual o deputado Professor Cleiton faz parte.

Fonte: Os Novos Inconfidentes

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