Matéria publicada pela revista Carta Capital, de autoria do jornalista André Barrocal, fez um balanço dos 4 anos da privatização do Sistema Eletrobras,  promovido pelo Governo Bolsonaro. A análise de um dos maiores crimes de lesa-pátria promovido pelo estado brasileiro é precisa já no título da reportagem: “Salários astronômicos para dirigentes, conta mais alta para o País: os 4 anos de privatização da Eletrobras.”

A matéria deixa claro que a privatização foi um negócio excepcional somente  para os novos acionistas, que se beneficiam de lucros exorbitantes, e para os dirigentes da agora Axia Energia, que receberam  em média  558 mil reais por mês entre  2023 até o fim de 2026.  Enquanto poucos se beneficiam, para os(as) trabalhadores(as) o clima organizacional dentro da empresa é péssimo, com demissões em massa acontecendo de forma contínua, gerando medo constante na categoria.

O SINTERGIA-RJ vem denunciando a atuação da direção da AXIA e buscando as vias judiciais para impedir que este processo perverso de demissões continue a ser praticado. Nas conversas com a categoria, os relatos de doenças ocupacionais são uma constante, todas elas relacionadas a cultura de perseguição promovida pela empresa. Essa é a prática de uma gestão dita “moderna”.

Não somente os trabalhadores e as trabalhadoras pagam o preço de uma privatização feita sob medida para o capital especulativo, a população toda sofre com a alta das tarifas de energia, a maior após quatro anos da venda da Eletrobras. E tudo indica que a tendência de alta vai continuar.

O SINTERGIA-RJ  e demais sindicatos fizeram uma luta incansável contra a privatização da Eletrobras, por terem a certeza de que seus efeitos seriam catastróficos, deixando o país sem controle da sua soberania energética, com  a falta de investimento capaz de garantir o crescimento econômico do país. Acrescido a isso, a demissão de uma mão de obra altamente qualificada, formada ao longo de décadas.

O presidente Lula já se pronunciou em eventos recentes, fazendo críticas pesadas à privatização da Eletrobras, citando os salários milionários dos diretores e o modelo imposto, onde, apesar de deter 40% das ações,  o governo só tem direito a 10% das decisões. Como diz a matéria, criou-se a figura do “estado minoritário”.

A eleição se aproxima e os sindicatos vão continuar cobrando  mudanças.  O setor elétrico nacional precisa ter a condução estatal, como acontece mesmo nos países capitalistas centrais. Energia não é mercadoria, e muito menos ativo para ser negociado pelo capital financeiro internacional.

Fonte: Ascom Sintergia-RJ