Cássia Liberatori*
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A privatização da Eletrobras revelou o que o Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) e o Sintergia-RJ alertavam: a energia, tratada apenas como mercadoria, torna-se inacessível. Dados sobre o perfil de consumo e a eficiência energética, corroborados por análises da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), mostram que a desestatização teve impacto direto na capacidade de pagamento das famílias, resultando no aprofundamento da pobreza energética no país.

Esse cenário reflete de forma devastadora no saneamento básico. A precarização  do fornecimento de energia elétrica afeta diretamente as bombas de água e os sistemas de esgoto, comprometendo o acesso à água potável, configurando um claro caso de racismo ambiental, onde as comunidades mais pobres e as mulheres são as mais penalizadas. As denúncias feitas por entidades como a Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), ASEF, Aeel  entre outras,  apontam para o desmonte técnico que precariza  e torna instável o serviço.

PL 1791/2019 e a Reestatização : um legado que vem de longas datas

A luta pela reestatização não é apenas ideológica, é pela dignidade e soberania nacional. Prevendo esse desmonte a categoria e o ramo elaborou a implementação do PL 1791/2019 o que tem sido fundamental para o detalhamento da nossa luta, o que permite o reaproveitamento das trabalhadoras dos trabalhadores  qualificados que foram demitidos, devolvendo o conhecimento técnico e a operação eficiente ao estado, da  soberania energética,  ao desenvolvimento nacional e e da  soberania  nacional garantindo que a energia volte a ser um direito, e não um privilégio caro.

Conclusão: O Amanhã é Público e Feminino

O futuro da energia no Brasil passa por três pilares fundamentais, defendidos pelos eletricitários e pelas eletricitárias:

  1. Reestatizar para recuperar o controle soberano do setor elétrico;
  2. Reaproveitar o talento das nossas demitidas e demitidos (PL 1791/2019);
  3. Reparar os danos às atingidas por barragens, bem como mulheres pretas e pobres atingidas pelo racismo ambiental.

A afirmação de que “O Amanhã é Público e Feminino” consolida a visão de que o futuro da energia no Brasil deve ser sustentável, inclusivo e acessível, pilares sustentados pela crescente e estratégica atuação das eletricitárias e urbanitárias. A presença feminina na força de trabalho do setor lidera a inovação e a transição energética justa, essencial para erradicar a pobreza energética. Esse futuro é construído sobre três pilares fundamentais: a diversificação da matriz com foco em renováveis (solar, eólica e biomassa), a geração distribuída e democratização do acesso, e a inclusão de gênero nas decisões estratégicas e técnicas. Portanto, ao unir a força das mulheres eletricitárias e urbanitárias  na gestão com políticas públicas voltadas ao desenvolvimento urbano sustentável, o setor energético brasileiro não apenas garante segurança no abastecimento, mas transforma a energia em um direito social, inovador e feminino.

*Cássia Liberatori é dirigente do Sintergia-RJ e da Cut Rio, com atuação na FNU, CNE e Movimentos Sociais