Por: Cássia Liberatori (dirigente do Sintergia-RJ e da CUT-Rio)
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Discurso da dirigente durante a atividade no Senge-RJ pelo mês das mulheres, em 10 de março, defendendo as pautas do setor elétrico e do saneamento, fazendo uma transversalidade com o bem viver das mulheres.
O Papel da Mulher na Engenharia e na Energia
Estar aqui no Senge-RJ, no Dia de uma comemoração das Mulheres, é reafirmar que nossa presença no setor energético não é apenas uma questão de cota, mas de soberania nacional. Historicamente, as mulheres nas empresas de energia — engenheiras, técnicas e administrativas — foram o pilar da construção do nosso sistema elétrico. Hoje, celebramos nossa força, mas também denunciamos os retrocessos que tentaram apagar nossa história.
O Crime da Privatização e o Desperdício do Capital Intelectual
A privatização da Eletrobras não foi apenas uma venda de ativos; foi um desmonte de inteligência estatal. Milhares de funcionárias, detentoras de um capital intelectual insubstituível, foram demitidas ou empurradas para PDVs precários.
- O Argumento:Quando uma empresa pública é retalhada, perde-se décadas de experiência em operação, manutenção e planejamento.
- A Defesa:Defender a reestatização da Eletrobras é, intrinsecamente, defender o reaproveitamento imediato dessas trabalhadoras e Trabalhadores. Não podemos permitir que o conhecimento técnico acumulado pelo Estado seja desperdiçado em prol do lucro de acionistas privados enquanto o país carece de expertise para a transição energética.
- Justiça Social: Mulheres Atingidas por Barragens
Nossa luta não para dentro dos escritórios ou usinas. Como profissionais da energia, temos o dever ético de olhar para quem está na ponta. As Mulheres Atingidas por Barragens (MAB) sofrem o impacto direto de um modelo energético que muitas vezes prioriza o concreto sobre a vida. - A privatização agrava a vulnerabilidade dessas mulheres, pois o lucro ignora a reparação histórica.
- A reestatização permite que a política energética volte a ter um olhar social, garantindo que a geração de energia não signifique a desestruturação de famílias e territórios liderados por mulheres.
O Caminho Legislativo: PL 1791/2019
Para que esse discurso vire prática, precisamos de ferramentas legais. É aqui que entra a defesa intransigente do PL 1791/2019.
- Este projeto, que trata da proteção de dados e direitos em contextos específicos, deve ser lido por nós como um escudo para a transparência e para a garantia de que as populações afetadas (especialmente mulheres) tenham voz e direitos assegurados.
- Precisamos pressionar para que a legislação proteja o trabalho remunerado e digno, impedindo que a “eficiência” privada seja desculpa para a precarização feminina.
Conclusão: O Amanhã é Público e Feminino
Concluo dizendo que o futuro da energia no Brasil passa por três pilares: Reestatizar para recuperar o controle; Reaproveitar o talento das nossas demitidas e demitidos; e Reparar os danos às atingidas por barragens, bem como mulheres pretas e pobres atingidas pelo racismo ambiental. Lugar de mulher é na engenharia, na operação, na política e na liderança da Eletrobras pública! Pela dignidade do trabalho remunerado e pela soberania do nosso setor elétrico.
Cássia Liberatori – Mulher com Deficiência, Dirigente do Sintergia-RJ e da CutRio


