Evento da Plataforma Operária e Camponesa de Água e Energia reuniu entidades e movimentos sociais para debater desafios e propostas para o setor

A FNU participou, nesta quarta-feira (18/3), no Rio de Janeiro (RJ), do Seminário Nacional “Compromissos com o povo brasileiro para a soberania energética”, promovido pela Plataforma Operária e Camponesa de Água e Energia (POCAE), da qual a entidade faz parte.

Realizado no Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, o encontro reuniu representantes de movimentos sociais, entidades sindicais e especialistas para debater os caminhos para a construção de uma política energética baseada na soberania nacional, na distribuição da riqueza e no controle social.

A FNU esteve representada pelo seu presidente, Pedro Damásio, que participou da mesa 2 – “Os desafios da classe trabalhadora na luta por soberania energética”, ao lado de representantes do DIEESE, FUP, MAB, CNU e de organizações internacionais.

Também participou do seminário a secretária-geral da FNU, Iara Nascimento, reforçando a integração entre as lutas pelo direito à água, ao saneamento e à energia.

Debate sobre papel da classe trabalhadora

Durante o seminário, as discussões destacaram o papel estratégico da classe trabalhadora na construção de um modelo energético voltado ao interesse público e à soberania nacional.

A mesa que contou com a participação da FNU abordou os desafios atuais diante do cenário político e econômico, apontando a necessidade de organização e unidade para enfrentar a lógica de mercado que tem avançado sobre setores estratégicos.

“A soberania energética não se constrói com lucro acima da vida. Ela depende do protagonismo da classe trabalhadora, do controle público dos recursos e de um projeto que coloque a energia a serviço do povo brasileiro — e não do mercado. O que está em disputa é se a energia será um direito do povo ou mais um instrumento de concentração de riqueza — e a classe trabalhadora precisa estar no centro dessa luta. A energia é um bem estratégico para o desenvolvimento do país e para a soberania nacional”, enfatizou Pedro Damásio.

Propostas para uma transição energética justa

Ao longo do encontro, foi reafirmada a importância da construção de uma transição energética justa, soberana e popular, que contemple os interesses da maioria da população e esteja baseada no fortalecimento do papel do Estado e no controle social.

Documento apresentado no seminário destaca que a política energética deve ser orientada pela soberania nacional, pela distribuição da riqueza e pelo protagonismo da classe trabalhadora, rejeitando a lógica de mercantilização dos bens essenciais.

A carta pública debatida durante o evento também aponta críticas ao modelo atual, destacando os impactos da privatização e da financeirização do setor energético, além de defender uma reorganização estrutural que priorize os interesses da população.

Articulação nacional e fortalecimento da luta

O seminário integra um processo mais amplo de articulação nacional da POCAE, com o objetivo de construir propostas e fortalecer a unidade entre organizações e movimentos populares na luta pela soberania energética.

A programação incluiu ainda debates sobre o cenário atual da política energética brasileira, perspectivas futuras e a definição de um plano de ação para o próximo período, reforçando o compromisso com a construção de um projeto popular para o setor.

Para a FNU, a participação no encontro é alinhada ao seu compromisso histórico com a defesa dos serviços públicos, da soberania nacional e dos direitos da classe trabalhadora.