O Coletivo Nacional de Saneamento (CNS) realizou, nesta terça-feira (6/1), uma reunião virtual que reuniu 45 dirigentes sindicais de 17 estados brasileiros, consolidando importantes encaminhamentos para as principais agendas de mobilização do setor de saneamento previstas para março de 2026.

Dirigentes da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) e de diversos dos seus sindicatos filiados participaram ativamente neste espaço nacional de articulação política, sindical e estratégica em defesa do saneamento público, do direito humano à água e da valorização dos trabalhadores e trabalhadoras do setor.

Mobilização para duas agendas estratégicas em março

Um dos principais pontos da reunião foi o avanço na organização da participação dos urbanitários em duas agendas nacionais estratégicas:

  • Seminário Nacional de Saneamento, que será realizado nos dias 9 e 10 de março de 2026, em Luziânia (GO), e no dia 11 de março, em Brasília, no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados;
  • II Encontro Nacional dos Direitos Humanos à Água e ao Saneamento (II ENDHAS), que ocorrerá entre os dias 18 e 20 de março de 2026, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador (BA).

As atividades têm como objetivo fortalecer a mobilização nacional contra os processos de privatização do saneamento, ampliar o debate público sobre os impactos do novo marco legal e defender a água e o saneamento como direitos humanos fundamentais.

II ENDHAS: debate amplo e metodologia participativa

Durante a reunião, foram apresentados informes detalhados sobre o II ENDHAS, que será realizado em parceria entre ONDAS, Fiocruz e UFBA. O encontro terá como foco central o debate da política pública de saneamento a partir dos déficits persistentes no acesso, das fragilidades da gestão e da regulação, e das múltiplas interseccionalidades que atravessam o tema.

Entre os principais temas que estruturam o evento estão: racismo ambiental; água e saneamento e suas relações com classe, raça, gênero e deficiência; saneamento em territórios indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais; saneamento rural, em favelas e periferias; privatização do saneamento; mudanças climáticas, segurança hídrica e saúde; desigualdades regionais; e gestão comunitária da água no Brasil e na América Latina.

A programação contará com mesas, relatos de experiências, apresentações culturais, trabalhos técnicos e, especialmente, oficinas autogestionadas, consideradas um dos pilares metodológicos do encontro. Essas oficinas serão construídas de forma coletiva, com metodologia horizontal e participação ampla de movimentos sociais, valorizando saberes populares e experiências territoriais.

Na reunião do CNS, foi aprovado que a Coordenação do Coletivo conduzirá o debate sobre a participação dos urbanitários nessas oficinas, seja integrando iniciativas já em construção ou propondo novas oficinas autogestionadas. (Inscrições ao II ENDHAS: https://www.even3.com.br/ii-encontro-dos-direitos-humanos-a-agua-e-ao-saneamento-630158/ )

Atividades em Luziânia e Brasília fortalecem articulação política

Outro informe importante tratou das atividades previstas para os dias 9, 10 e 11 de março de 2026. Em Luziânia (GO), será realizado o Seminário do Coletivo Nacional de Saneamento, reunindo entidades, sindicatos e especialistas para aprofundar o debate sobre os desafios atuais do setor.

Já no dia 11 de março, em Brasília, ocorrerá uma grande atividade no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, em parceria com a Frente Parlamentar Mista em Defesa do Saneamento Público. O ato terá como eixo central a luta contra todas as formas de privatização e o fortalecimento do saneamento público, além do lançamento de um projeto de lei voltado ao controle popular sobre a prestação pública do saneamento básico no Brasil.

Urbanitários na 6ª Conferência Nacional das Cidades

A reunião também abordou a participação dos urbanitários na 6ª Conferência Nacional das Cidades, cuja etapa nacional ocorrerá entre 24 e 27 de fevereiro de 2026, em Brasília. O processo reúne movimentos sociais, trabalhadores, gestores públicos, entidades profissionais e acadêmicas para debater e formular diretrizes da política urbana nacional.

A FNU, por meio de seu presidente, Pedro Damásio, e de sua secretária-geral, Iara Nascimento, tem atuado ativamente na organização e articulação política da conferência, incluindo o mapeamento dos delegados do movimento sindical. Entre as iniciativas em construção está a apresentação de uma moção crítica ao papel do BNDES no avanço dos processos de privatização do saneamento.

Informes dos estados revelam cenário de disputa

Durante os informes estaduais, foram apresentados diferentes cenários da luta pelo saneamento no país. Em Joinville (SC), foi destacada uma vitória importante contra a privatização, fruto de forte mobilização social e participação da população.

No Espírito Santo, o quadro de terceirização é alarmante, com número de terceirizados cinco vezes superior ao de trabalhadores próprios, além do avanço de PPPs, enfrentado com resistência sindical. Na Paraíba, projetos de PPP avançam em microrregiões como Alto Piranhas e Litoral, com críticas à baixa qualidade dos estudos e à ausência de participação popular.

Já no Distrito Federal, foi denunciado um processo de privatização indireta da CAESB, marcado por terceirização, PDVs e redução do quadro de trabalhadores, com impactos diretos na capacidade de mobilização sindical e na prestação dos serviços.

Unidade e mobilização nacional

A reunião do CNS enfatizou a importância da articulação nacional dos urbanitários, da troca de experiências entre os estados e da construção coletiva de estratégias para enfrentar a privatização, a precarização do trabalho e o desmonte do saneamento público.

As decisões e encaminhamentos aprovados fortalecem a preparação para as lutas de 2026 e consolidam o CNS como espaço estratégico na defesa do saneamento como direito humano e dos trabalhadores e trabalhadoras do setor.