A FNU, por meio da sua Secretaria da Mulher Urbanitária, se engaja na campanha “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher”, que vai de 20 de novembro — Dia da Consciência Negra — até 10 de dezembro — Dia Internacional dos Direitos Humanos.
Neste ano, a campanha internacional traz o chamado: “Una-se para acabar com a violência digital contra todas as mulheres e meninas”, reforçando que o ambiente online também é um território onde ocorrem violências graves e muitas vezes invisibilizadas.
A mobilização tem como objetivo conscientizar trabalhadoras e trabalhadores, bem como a sociedade em geral, sobre os inúmeros tipos de agressão que meninas e mulheres enfrentam — físicos, psicológicos, patrimoniais e digitais — e reafirmar que a violência contra a mulher é questão central de direitos humanos e justiça social.
A campanha mundial realiza-se entre 25 de novembro e 10 de dezembro, porém no Brasil ela se inicia já em 20 de novembro justamente para dar visibilidade à dupla vulnerabilidade da mulher negra.
Segundo dados recentes, 62% dos brasileiros afirmam não ter informação suficiente para ajudar mulheres em situação de violência e 4 em cada 10 mulheres não reconhecem certas agressões como violência. Dados de organizações mostram ainda que mulheres negras são as que mais morrem vítimas de feminicídio no país, o que reforça a urgência de políticas específicas.
“Nossa tarefa, como cidadãs e cidadãos, é transformar o silêncio em ação, garantir que nenhuma mulher fique sozinha, que cada agressão seja vista como um ataque à nossa dignidade e aos nossos direitos”, afirma Sônia Mendes, secretária da Mulher Urbanitária da FNU.
Para o presidente da FNU, Pedro Damásio, a campanha é também uma pauta sindical essencial: “Não basta garantir emprego e salário, se no mundo do trabalho a mulher enfrenta violência, discriminação ou desprezo. O fim da violência contra a mulher é condição para um ambiente laboral realmente justo”.
Porque esta pauta importa para os urbanitários e urbanitárias
As mulheres, especialmente negras e periféricas, vivem realidades de dupla ou tripla opressão: como trabalhadoras, como mulheres submetidas às desigualdades de gênero e raciais, e como cidadãs que muitas vezes não têm acesso pleno aos mecanismos de denúncia e proteção.
Incluir o tema no cotidiano sindical significa dar visibilidade às violências invisibilizadas — dentro do lar, no transporte, no local de trabalho e no espaço público — e construir políticas que articulem gênero, raça, trabalho e direitos.
Chamada à ação
A FNU convida todos os sindicatos filiados, dirigentes, trabalhadoras e trabalhadores a engajar-se na campanha.
Assuma o compromisso de:
– informar-se sobre os tipos de violência e as rotas de denúncia;
– apoiar colegas em situação de vulnerabilidade;
– promover espaços de diálogo sobre gênero e raça no mundo do trabalho;
– exigir que os acordos coletivos de trabalho e as negociações incluam cláusulas de prevenção à violência e ao assédio.
Porque a violência contra a mulher não é problema só de mulheres — é desafio da sociedade, da classe trabalhadora e dos sindicatos.
Que o nosso compromisso seja permanente para que o slogan se torne realidade:
Nenhuma mulher será deixada para trás.
