A falta de controle do sistema elétrico brasileiro e o risco de apagão serão temas de uma reunião marcada para a próxima sexta-feira (19) pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). O título da convocação resume o problema que estará sobre a mesa: “Ações emergenciais das distribuidoras para a segurança do sistema interligado nacional decorrente dos impactos do elevado crescimento da micro e minigeração distribuída de energia”.
Essas duas modalidades de geração renovável, mais conhecidas pela sigla DG, de geração distribuída, foram pensadas para atender consumidores residenciais e pequenos estabelecimentos comerciais, rurais ou industriais. No entanto, ganharam escala em fazendas e condomínios, inclusive com a venda de assinaturas, concentradas na solar fotovoltaica.
Por causa da rápida e descontrolada expansão, a GD se transformou em um problema para a operação do abastecimento de energia no país. Há mais de 43 GW (gigawatts) dessa modalidade em operação, e 95% é solar.
Esse tipo de geração não consta do planejamento setorial, nem pode ser controlado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema). Esse órgão já emitiu alertas, deixando claro que enfrenta dificuldades diárias para estabilizar e dar segurança ao processo de fornecimento.
Maio e agosto foram especialmente estressantes. Na hora do almoço do Dia dos Pais, por exemplo, quase 40% da geração de energia do país vinha de painéis solares, a maior parte GD, o que obrigou uma operação emergencial para evitar um apagão. A Aneel entende que a segurança do sistema corre risco e quer organizar a discussão de alternativas.
Nesta segunda-feira (15), oito entidades do setor elétrico reforçaram essa discussão. Enviaram uma carta conjunta ao Congresso Nacional alertando sobre os riscos da atual política de incentivo à GD por meio de subsídios.
Em 2022, foi publicada uma lei com regras para a redução gradual dos benefícios ao segmento. No entanto, é permanente a pressão sobre o Congresso para que a regra seja flexibilizada e prorrogada, e as entidades decidiram fortalecer o alerta aos parlamentares.
