Reportagem do canal estatal da Rússia, RT, que é transmitido e traduzido para vários países na Rússia, China, Europa e Américas, denuncia os engodos absurdos do saneamento da privatização do saneamento no Brasil.

Na reportagem, Lucas Tonaco, dirigente da FNU e do Sindágua-MG, explica que “a privatização do saneamento é um erro. Tratar a água como mercadoria impacta diretamente as populações mais vulneráveis, pois elas não terão acesso, mesmo com uma política de tarifa social, uma vez que não são consideradas potenciais pagadoras desse serviço ou serão de alguma forma negligenciadas” e completa: “e há sempre a questão do financiamento, pois essas empresas privadas, na verdade, obtêm parte de seus recursos do BNDES, um banco público”. (fonte original: https://esrt.space/video/559352-favelas-brasilenas-afrontan-brotes-enfermedades)

Assista a reportagem (no final da página está a tradução):

Tradução livre:

Apresentadora:
A Ministro do Meio Ambiente do Brasil enfatiza que uma decisão política firme é fundamental para a universalização do saneamento básico. A realidade é preocupante: a maioria da população vive sem acesso a serviços básicos e água potável.

A cada ano, o país registra mais internações por doenças como febre e dengue. Pedro Panuncio conta como os moradores de favelas sobrevivem.

Repórter Pedro Panuncio:

No Brasil, mais de 4 milhões de pessoas não têm banheiro em casa, mais de 30 milhões não têm acesso a água potável e outros quase 100 milhões, representando quase metade da população do país, vivem sem sistema de esgoto. E, claro, são as populações mais pobres e vulneráveis que sofrem com essa situação.

A falta de saneamento adequado representa um enorme problema de saúde; só no ano passado, o Brasil registrou mais de 340 mil internações por esgoto a céu aberto. O levantamento foi realizado pelo Instituto Trata Brasil.

As principais doenças decorrentes dessa situação são as transmitidas pelo cérebro de uma pessoa infectada e a dengue. Graziella é uma das que sofrem com a falta de saneamento. Ela e a família moram em uma favela na cidade de São Paulo. O marido dela foi infectado recentemente com dengue.

Graziella Silva dos Santos:
“É muito ruim porque tenho duas filhas, que não têm nem dez anos, e não tem como deixá-las brincar na rua por causa do esgoto. Elas pisam na água suja, pisam dentro de casa, a casa fica insuportável e ninguém aguenta ficar dentro de casa.

Tem hora que o cheiro começa e você nem consegue ficar do lado de fora. É algo com que não se consegue conviver por muito tempo.”

Repórter:
Buiu atua na comunidade por meio de um projeto social que lidera. Ela conta que os moradores, além de lutarem pelo direito ao saneamento básico, também lutam, principalmente, por reconhecimento.

Ou seja, apesar de a Comunidade existir há mais de 10 anos, o Poder Público ainda não reconheceu a regularidade da ocupação da área.

Buiu (líder do Projeto GAC)

“São praticamente que estamos pisando em esgoto. É muito difícil. É muito complicado para nós entender que vivemos em abandono do poder público, que não reconhece uma área como esta com tanta gente vivendo aqui, na Ocupação Anchieta, e que temos que viver em cima de todos esses descuidos e também geram problemas de saúde”.

Repórter:
Em 2020, Brasília aprovou um projeto de lei que, na prática, abre caminho para a privatização dos serviços de saneamento. A legislação estipula uma meta para que, até o ano de 2033, praticamente toda a população brasileira tenha acesso à água e esgoto.

Cinco anos após sua aprovação, especialistas a analisaram como insuficiente.

Lucas Tonaco:
“A privatização do saneamento é um erro. Tratar a água como mercadoria impacta diretamente as populações mais vulneráveis, pois elas não terão acesso mesmo com uma política de tarifa social, uma vez que não são consideradas potenciais pagadoras desse serviço ou serão de alguma forma negligenciadas.

E há sempre a questão do financiamento, pois essas empresas privadas, na verdade, obtêm parte de seus recursos do BNDES, um banco público.”

Repórter:
Diante do iminente descumprimento da meta estabelecida, um projeto de lei já tramitou na Câmara dos Deputados estendendo o prazo até 2040. Enquanto isso, pessoas que vivem em meio ao esgoto são forçadas a conviver com doenças e odores desagradáveis, sem saber ao certo quando essa situação vai acabar.