O CNE – Coletivo Nacional dos Eletricitários – divulgou nota onde aponta os alvos da campanha privatista no setor elétrico nacional, os ataques aos sindicatos e os malfeitos do atual presidente da Eletrobras Wilson Pinto Jr., que  não respeita à história, o presente e futuro da provisão de energia, além de ser submisso às grupos financeiros nacio­nais e estrangeiros.  #ForaWilsonPintoJr.

Leia a nota:

O CNE jamais abdicará do seu papel de de­fender as empresas do Sistema Eletrobras, o caráter e a competência do seu corpo de em­pregados. A entrada de um novo governo em 2019 acirrou os ânimos dos privatistas patológi­cos que não cansam de tentar vender o Sistema Eletrobras a preço de banana.

Nesta campanha privatista, três alvos são cla­ros: os trabalhadores, os sindicatos e os ativos da empresa. O Sr. Wilson tenta no apagar das luzes do Governo que o colocou no poder, ou seja, o governo “temeroso” do Michel, dar suas últimas cartadas para levar a companhia ao co­lapso.

O ataque aos sindicatos não se deve apenas a uma tentativa de fragilizar a resistência dos tra­balhadores. Trata-se de se vingar de um grupo aguerrido que tem divulgado para sociedade brasileira várias mazelas do presidente da hol­ding.

Os sindicatos sempre defenderam as mesas de negociação nos Acordos Coletivos de Trabalho e, em última instância, acatou as orientações do Tribunal Superior do Trabalho. Nenhum direito ou benefício na Eletrobras está em vigor sem a pactuação de todas as partes envolvidas.

Poderíamos fazer um documento extenso, mas optamos por uma exposição clara, sucinta e ob­jetiva. A troca do presidente da holding se res­paldaria nos seguintes motivos:

Financiador da Campanha do Ex – Mi­nistro de Minas e Energia Fernando Filho que o nomeou para a posição – apesar de legal, constitui um ato de imoralidade um presidente de uma empresa controlada pela União se tornar financiador da campanha do Ministro que o nomeou. A sociedade não aceita este tipo de retribuição, “uma espécie de toma lá, da cá”. Chama atenção que além de Wilson Ferreira, presidente da Eletrobras, o presidente da CHESF, Sinval Gama, o presidente da Petro­bras, Pedro Parente, e o presidente da EPE, Luiz Barroso, todos nomeados pelo mesmo ministro, fizeram generosas doações de campanha. O presidente Wilson não tem moral em falar sobre a politização ocorrida nos governos anteriores, na medida em que uma mera consulta ao TSE o qualifica como doador de campanha de político que teve forte participação na sua nomeação.

Financiador da Campanha de Deputa­dos de São Paulo – é plenamente normal um cidadão comum se tornar um financiador de campanha. Legal, mas imoral, é um gestor de uma empresa controlada pela União, que se relaciona continuamente com o Congresso Na­cional para debater assuntos sobre o setor que afligem a companhia, financiar a campanha de deputados. O presidente Wilson não tem moral em falar sobre a politização ocorrida nos go­vernos anteriores, na medida em que patrocina deputados que votam matérias de interesse da Eletrobras, dos investidores, das multinacionais, e de outros grupos de interesse do setor.

Apoiador da nomeação de Conselheiro de Administração da Empresa France­sa Engie (concorrente da Eletrobras) para a atuação simultânea no Conse­lho da Eletrobras – um ato que não guarda o mínimo de defesa da soberania nacional. No Conselho de Administração são debatidas as diretrizes estratégicas da companhia e diversas operações financeiras e societárias. A presença de um conselheiro de uma empresa francesa é, no mínimo, uma imprudência. A defesa do in­teresse nacional, um dos lemas do presidente eleito, não pode ser observado em práticas des­ta natureza. Aos militares que apoiam este novo governo, saibam que no conselho da Eletrobras tem um legítimo representante de uma empresa com forte participação do governo francês, cuja presidenta da companhia já manifestou publica­mente o interesse em ativos da Eletrobras que foram repassados na internet pelo próprio minis­tro Moreira Franco.

Contratação de empresa de publicidade para falar mal da Eletrobras e criar um clima favorável à privatização – O Sistema Eletrobras tem empresas com décadas de serviços prestados ao Brasil, caso da Chesf, Furnas, Eletro­bras, Eletrosul, Eletronorte, dentre outras. A cam­panha ofensiva contra a Eletrobras, por empresa de publicidade que despachava diretamente com o Presidente Wilson, é um ato de desprezo a todos os empregados e diretores civis e militares que partici­param da construção das companhias que integram o território nacional. Se plotarmos o Sistema Interli­gado Nacional sobre o mapa da Europa, a robustez do sistema elétrico brasileiro seria suficiente para in­tegrar grande parte do continente. Foi utilizada uma guerra de mídia para induzir a opinião pública contra o Sistema Eletrobras e este processo será intenso nos próximos meses.

Contratação sem licitação do BTG para avaliar ativos da companhia – o BTG possui SPES e participação representativa de uma grande empresa que opera no setor elétrico (ENEVA), uma grande comercializadora de energia, participação acionária na Equatorial e, mesmo assim, foi contra­tada a pedido do presidente Wilson Junior para ava­liar os ativos da Eletrobras de geração e transmissão que foram colocados à venda. Um caso clássico de conflito de interesse, ainda mais em função do êxito da Equatorial em comprar ativos da Eletrobras.

Desrespeito Contínuo aos Empregados – o Presidente além de chamar os empregados de “va­gabundos”, caracterizou sua gestão por fumar em reuniões com empregados em locais fechados (por muito tempo teve um fumódromo ao lado da sua sala) e não tem coragem de agendar reuniões com o corpo de funcionários da companhia. Um gestor com aversão a pessoas não inspira confiança e en­gajamento.

Contratação de consultor jurídico da Advo­cacia Geral da União para ocupa do cargo de Consultor Jurídico da Eletrobras, dire­tamente subordinado ao presidente, mes­mo a Eletrobras e a AGU estarem em polos opostos de disputas judiciais na casa de R$ 14 bilhões – O escândalo desta nomeação foi tamanha que saiu em diversos jornais de grande cir­culação. O consultor jurídico tem acesso e influência em toda a estratégia de defesa da companhia e é inadmissível que simultaneamente, tenha laço pro­fissional orgânico com o polo oposto. A discussão está nos tribunais e traz riscos para a companhia.

Tentativa de negociação direta de ativo com a Equatorial em atitude freada pelo TCU – Wilson e Equatorial se conhecem de longa data. Quando ele estava na CPFL, sua empresa e Equatorial fizeram parceria para adquirir grupo Rede por R$ 1 real. Na Eletrobras, a Equatorial comprou ativos da empresa a preços bastante atrativos. Caso não houvesse uma posição firme e decidida do TCU, o Sr. Wilson teria negociado ativo diretamente com seus amigos da Equatorial sem realizar leilão ou dar publicidade à operação, dentro de um conceito “lus­tra móvel” de oportunidade de negócio.

Criador da retórica de democratização de capital – a tentativa de ludibriar a sociedade brasi­leira em prol da privatização era tamanha, que Wil­son propôs que a privatização na verdade seria uma democratização, mesmo que o conceito de democra­cia não guarde relação com uma operação financei­ra. Não podemos falar em democratização de capital em um país com uma massa enorme de desempre­gados e de cidadãos de baixa renda e classe média que não operam no mercado de capitais. Esta demo­cratização não passa de uma retórica para vender uma companhia estratégica para o futuro dos brasi­leiros para fundos de investimentos da elite nacional (ex: 3G Radar, Opportunity, Vince, BTG) e interna­cionais como (JP Morgan, Goldman Sachs, HSBC, BNP Paribas, Black Rock, Vanguard, dentre cente­nas de outros fundos).

Financiamento de Campanha se configura como uso político – O gestor que tenta passar uma imagem de mero técnico, não pode se dar ao direito de ser um financiador privado de campanhas eleitorais e executar doações generosas. Ademais, o Presidente faz visitas reiteradas as Casas Legislati­vas que extrapolam as convocações oficiais.

Relação com empresas estrangeiras e fun­dos internacionais – O Presidente que não fala para a sociedade a representatividade dos fundos de pensão estrangeiros, fundos de investimento nacio­nais e internacionais e fundos soberanos nas ações preferenciais da Eletrobras. A leitura de uma Ata de Assembleia Geral Ordinária da Eletrobras permite identificar que categorias profissionais de norte-ame­ricanos que vivem no Alaska, Califórnia, New York, Oregon, Idaho, Mississipi, Minnesota, New Jersey, Santa Barbara, Texas, Illinois, Califórnia, Ohio, Wa­shington, Los Angeles, Wisconsin, Virginia , Missouri e vários outros tem ações da Eletrobras. Diversos fundos de pensão ligados a empresas de porte glo­bal como AT&T, General Electric, IBM, Boeing, British Airways, Ford, Caterpillar, dentre outros, possuem ações da Eletrobras. Enquanto no Brasil tentam fra­gilizar a previdência dos brasileiros, os países ricos buscam ampliar a geração de riqueza para os fundos de previdência de seus cidadãos. O apoio à priva­tização dos segmentos de água, energia, petróleo e gás nos países em desenvolvimento constitui um corolário deste modelo. São recursos estratégicos no contexto global. A privatização seria uma oportu­nidade para estes fundos ampliarem as suas fatias no capital social da empresa. O envelhecimento da população nestes países e seus reflexos demográfi­cos fazem com que a busca de riquezas nos países em desenvolvimento seja uma forma de sustentar o custo previdenciário.

Privatização das Distribuidoras trazendo ris­cos substanciais de fluxo de caixa da holding, poden­do induzir uma privatização a preço de banana, na “bacia das almas”.

Proximidade com Paulo Pedrosa que foi responsável pelo escândalo do The Guar­dian sobre os leilões do pré-sal – Wilson, Pe­drosa, e Fernando Filho fizeram uma gestão em prol do capital financeiro e especulativo. Paulo Pedrosa foi alvo de um escândalo global do The Guardian, no qual negociou isenções bilionárias para companhias inglesas em leilões do pré-sal. É uma insanidade que este cidadão seja convidado para comandar o MME.

Excesso de Contratações sem Licitação – O presidente sempre pautou para contratar serviços que conviveram com ele na CPFL, sem se importar com regras de contratação.

Não temos dúvida de que o melhor para o Brasil é à saída do atual presidente que gere a empresa sem se importar com a soberania nacional, o respeito à história, o presente e futuro da provisão de energia, além de ser submisso às grupos financeiros nacio­nais e estrangeiros.

Leia: BOLETIM CNE13 11 2018

Veja abaixo “a verdade sobre Wilson Pinto”:

       

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