A iniciativa é resultado da 2ª Conferência Nacional da Frente Brasil Popular e busca também colher subsídios para um projeto de nação que atenda às necessidades da maioria da população brasileira

Com o objetivo de debater junto com a população os problemas sociais que ela vem enfrentando no cotidiano, suas causas, os responsáveis e alternativas para os problemas, os movimentos populares e entidades sindicais deram início a um verdadeiro mutirão de trabalho de base para realizar o Congresso do Povo Brasileiro, em agosto deste ano.

A ideia é despertar a consciência do povo para o fato de que a piora nos serviços públicos de saúde e educação, o desmonte de políticas públicas essenciais, como as de habitação ou assistência social, o aumento da violência, o desemprego, os baixos salários e a precarização cada vez maior do trabalho são todas consequências do golpe de Estado de 2016, que depôs uma presidenta legitimamente eleita e acabou com a política de desenvolvimento do país, que aliava investimentos públicos, com geração de emprego, renda e bem-estar social.

“Nos últimos dois anos e meio o desemprego voltou a fazer parte da rotina das famílias, escolas fecharam, o transporte público ficou mais caro, a gasolina e o gás de cozinha aumentaram de preço descontroladamente, políticas sociais foram exterminadas juntamente com direitos trabalhistas conquistados ao longo de décadas e décadas e a sociedade não foi devidamente informada pelos grandes meios de comunicação que contribuíram para dar o golpe de Estado”, diz a secretária nacional de Mobilização e Relação com os Movimentos Sociais da CUT, Janeslei Albuquerque.

Segundo a dirigente, tudo isso aconteceu depois que a presidenta Dilma Rousseff (PT), legitimamente eleita por mais de 54 milhões de eleitores foi destituída do cargo por meio de golpe tramado pelo então vice-presidente Michel Temer (MDB-SP), pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), seus aliados e parte da mídia e do Judiciário.

E a população parece começar a entender que o golpe tinha o objetivo de tirar direitos, como a CUT sempre alertou, disse a secretária. E a rejeição a Temer é a prova disso.

“Esse presidente que tomou o lugar de Dilma, governa o Estado brasileiro com um dos maiores índices de rejeição da história do país, não pode nem andar na rua sem ser vaiado. Essa semana foi escorraçado pela população no centro de São Paulo [quando tentou visitar os escombros do prédio público que desabou e matou um morador, deixou pessoas e crianças feridas e famílias desalojadas]”, completou.

Lula Livre! Marielle Vive!

Os episódios de violência fascista que assistimos nos últimos meses, como os ataques à caravana de Lula no sul do Brasil, de autoritarismo com a intervenção militar no Rio de Janeiro e de barbárie com a execução da vereadora Marielle Franco e de Anderson Gomes, seu motorista, ainda sem sinal de solução, somam-se a ilegal e injusta prisão do ex-presidente Lula e colocam a defesa da democracia e da liberdade para Lula, candidato favorito em todas as pesquisas, na ordem do dia dos movimentos sociais e, portanto, do Congresso do Povo.

Sem democracia, está em jogo a própria possibilidade de o povo organizado resistir aos desmandos do golpe e construir suas alternativas de poder popular, como por exemplo, a candidatura do ex-presidente Lula.

Por isso, o Congresso do povo está organizado também em torno do diálogo com a população sobre as injustiças cometidas contra Lula, a necessidade de sua libertação imediata e a garantia do seu direito de ser candidato.

Agenda do Congresso do Povo

O Congresso do Povo está sendo construindo para dar vez e voz para os que estão fora do debate político nacional.

“O principal objetivo do Congresso é que ele seja, de fato, do povo brasileiro, que chegue até as pequenas cidades onde muitas vezes a organização é mais difícil porque a mão pesada dos coronéis, de alguns prefeitos e oligarquias que não permitem a organização popular. Queremos que essas pessoas tenham a possibilidade de alcançar maior entendimento da situação atual, para atingir outro nível de consciência política e reagir”, pontuou Janeslei.

Entre maio e julho, serão realizadas reuniões e assembleias nas associações de trabalhadores do campo e da cidade, sindicatos, grupos de mulheres, quilombolas e jovens que acumularão debates, estratégias e propostas que serão levadas para o Congresso Nacional do Povo Brasileiro, previsto para acontecer no início de agosto.

“Temos ambições grandiosas e vamos trabalhar para isso. Pensamos em finalizar esta etapa num grande encontro com representações de todo o Brasil, que irão fechar, nesse primeiro momento, os diálogos necessários para seguirmos mobilizados contra os abusos e as violências que estão sendo cometidas”, salienta Janeslei.

O Congresso do Povo se dá de forma aberta, explicou Aristides Silva, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). A ideia, disse o dirigente, é conversar com o máximo de pessoas possíveis em cada localidade.

“Por onde passamos orientamos que as agendas podem começar a qualquer instante, e os responsáveis pelas discussões já estão fazendo atividades na base porque o grande objetivo do Congresso é traduzir e dialogar com o povo sobre o que está acontecendo, para a maior quantidade de pessoas possíveis. Nós vamos debater até com os grupos econômicos locais, se eles aceitarem conversar conosco”, refletiu o dirigente.

“Organizamos um material acessível com linguagem simples para todos entenderem o que está acontecendo. Também construímos uma metodologia de trabalho que possa ser desenvolvida em todas as localidades”, explicou a dirigente sobre a Cartilha que está disponível com orientações para realização do congresso em cada localidade (Acesse aqui).

Participação da CUT

Segundo informou a dirigente, junto de outros movimentos e organizações, a CUT está bastante envolvida nessa ação, e a ideia é que o conjunto das entidades filiadas esteja engajada na realização do congresso nos seus territórios. Por isso é fundamental o papel das regionais das CUTs, dos núcleos e subsedes dos sindicatos estaduais e dos sindicatos de base na mobilização e agitação em torno do Congresso do Povo e de seus objetivos: organizar a resistência popular e defender a democracia e a liberdade para Lula.

“É preciso levar a discussão da conjuntura para a base dos sindicatos. Se não conversarmos como os trabalhadores das nossas bases sobre o que está acontecendo, se não conversarmos com o povo eles continuarão sendo manipulados pela Globo”, alerta Janeslei.

Os movimentos, organizações e associações populares dos municípios que quiserem receber os materiais do Congresso do Povo Brasileiro podem entrar em contato com a coordenação nacional do Congresso ou com Secretaria Nacional de Mobilização e Relação com os Movimentos Sociais da CUT.

“Pretendemos chegar na maioria dos municípios brasileiros, afinal, neste período de tantos ataques à previdência e aos direitos trabalhistas, onde as conquistas civilizatórias são enfrentadas com violência em forma de fascismo, se não lutarmos contra isso agora, sabemos qrs,w\mue teremos um país deteriorado nos próximos tempos”, ressaltou Janeslei. (fonte: CUT)

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