O governador Ibaneis Rocha (MDB) avalia privatizar empresas públicas do Distrito Federal, como a Companhia Energética de Brasília (CEB) e a Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb). O chefe do Executivo local comentou ontem, pela primeira vez, a possibilidade de desestatizar entidades de direito privado administradas pelo GDF. A privatização do Banco de Brasília (BRB), entretanto, está descartada. CEB e Caesb têm, no total, débitos que superam R$ 2,5 bilhões. Especialistas em gestão pública defendem a medida, que deve enfrentar dura resistência dos trabalhadores. Para sair do papel, a desestatização tem que ser aprovada pela Câmara Legislativa.

Ibaneis disse que a administração tentará manter as duas companhias sob o comando do GDF, mas, se houver complicações nas finanças, elas serão privatizadas. “Temos encontrado uma dificuldade muito grande dentro dessas empresas. No caso da CEB, os valores de débito superam R$ 1 bilhão”, explicou o governador. “A responsabilidade com a empresa é muito grande, todos os estudos estão sendo feitos, todas as maneiras para manter a empresa funcionando estão sendo realizadas”, assegurou Ibaneis. “Mas, infelizmente, a cultura que se instalou no DF foi de um consumo interno das empresas pelas suas forças. Temos servidores que ganham muito, que se aposentam e continuam trabalhando nelas; então, temos aquelas que se consomem internamente.”

Segundo o governador, uma saída pode ser dividir a gestão com o setor privado. “A ideia sempre foi de partilhar a administração com a iniciativa privada. Podemos vender parte das ações, recapitalizar a empresa e entregar a administração de forma profissionalizada para quem entende do mercado, mantendo a presença do governo para fazer as ações que são verdadeiramente de Estado”, explicou o chefe do Palácio do Buriti.

No caso da Caesb, Ibaneis afirma que os débitos contabilizados superam R$ 1,5 bilhão. CEB e Caesb são as companhias mais críticas, mas todas teriam problemas, de acordo com o governador. “Não existe nenhuma empresa superavitária no Distrito Federal”, disse o governador.

Entre os trabalhadores das empresas públicas, as declarações de Ibaneis Rocha causaram apreensão. Igor Aguiar, diretor do Sindágua, entidade que representa os trabalhadores da Caesb, defende o controle do Estado. “A gente espera que o governador não leve esses planos adiante. Em muitas cidades onde houve a privatização do saneamento, isso está sendo revertido”, comentou Igor. “O setor privado só quer atuar onde consegue ter muito lucro. As empresas vão descartar investimentos importantes, mas que são indispensáveis para a sociedade, como a universalização da oferta de água e de coleta de esgoto”, afirmou. Hoje, a Caesb atende 99% das residências do DF com abastecimento de água e mais de 80% com coleta de esgoto — os melhores índices do país.

A Caesb tem pouco mais de 2 mil empregados. No ano passado, lançou um plano de demissão voluntária (PDV) para reduzir o quadro de pessoal em quase 400 pessoas, com perspectiva de economia de R$ 400 milhões nos próximos anos.

José Edmilson da Silva, diretor do Sindicato dos Urbanitários, afirma que o anúncio é “uma decepção” para os trabalhadores da CEB. “Tecnicamente, a empresa esteve muito ruim no fim dos anos 2000, mas os trabalhadores se empenharam muito e conseguiram uma recuperação”, explicou. Segundo ele, boa parte do deficit tem como causas investimentos equivocados na geração de energia.

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